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Grávida do Amadora-Sintra. Ana Jorge aponta "falta de cuidado" à forma como ministra abordou o caso

03 nov, 2025 - 10:03 • André Rodrigues

Antiga ministra considera que Ana Paula Martins podia ter evitado referências a mulheres grávidas sem acompanhamento, que não falam português e não têm telemóvel. Sobre a falta de cruzamento de dados clínicos, Ana Jorge diz que o problema é antigo e não é exclusivo do Hospital Amadora-Sintra.

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A antiga ministra da Saúde, Ana Jorge, aponta “falta de prudência” à atual ministra, Ana Paula Martins, no caso da grávida guineense que morreu no Hospital Amadora-Sintra.

Em entrevista à Renascença, a antiga ministra considera que Ana Paula Martins “poderia ter evitado a generalização”, quando, na passada sexta-feira, aludiu a mulheres que não falam português, cujas gravidezes não são acompanhadas e que, em muitos casos, não têm telemóveis, nem estão preparadas para pedir socorro.

Ana Jorge admite que, ainda que o perfil descrito pela ministra corresponda ao caso de algumas utentes do Amadora-Sintra, “a ministra generalizou e houve alguma falta de cuidado… não foi a melhor resposta que senhora ministra deu para este caso. Era melhor ter um bocadinho mais de prudência, sem saber o que é que se passou exatamente”.

Falta de partilha de dados é problema nacional… e antigo

Este domingo, a Unidade Local de Saúde Amadora-Sintra esclareceu que Ana Paula Martins só soube que a grávida já era acompanhada desde julho, o que contraria a indicação de que a mulher só tinha tido consulta hospitalar dois dias antes de morrer.

Ana Jorge diz que o problema não é um exclusivo do Amadora-Sintra e lamenta que, apesar dos avanços tecnológicos, “a partilha automática da informação clínica ainda não exista”.

A antiga ministra da Saúde admite, no entanto, que “as Unidades Locais de Saúde (ULS) podem ser um caminho, mas tem de ser nacional”.

O problema é antigo. Ana Jorge refere que “há muitos anos que se luta por isso no Ministério da Saúde, mas os sistemas continuam diferentes e não compatíveis”.

“É preciso vontade política, dos profissionais e financiamento” para avançar.

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