06 nov, 2025 - 20:00 • João Maldonado com Lusa
A Rede Expressos volta a afirmar que não é possível admitir mais operadores no terminal de Sete Rios, em Lisboa. Entrevistado pela Renascença, o gerente da empresa, Martinho Costa, sublinha que não se trata de medo da concorrência: "Não temos qualquer receio da FlixBus do ponto de vista concorrencial, qualquer aumento da oferta tem riscos para a segurança de pessoas, para a circulação rodoviária, que nós, como responsáveis do terminal, não estamos dispostos a assumir".
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Num comunicado enviado esta tarde, a empresa garante que o terminal "está atualmente a operar no limite das suas infraestruturas", sendo impossível admitir 96 novos horários da FlixBus (e 12 da BlaBlaCar). A Rede Expressos explica também que existem alternativas viáveis e com capacidade para receber os pedidos, como a Gare do Oriente (já usada pela FlixBus). E apela à melhoria das condições por parte da Câmara Municipal de Lisboa: de forma a que "avance com a construção de um novo terminal rodoviário, moderno, seguro e dimensionado para o futuro da mobilidade interurbana na capital".
É a resposta aos protestos da FlixBus, que alega não estar a ser cumprido o decretado, em maio, pela Autoridade da Mobilidade e dos Transportes. A empresa de autocarros estima perdas de 12,5 milhões de euros em 2024 devido ao impedimento de acesso ao terminal, apesar da decisão do regulador que reconhece o acesso - ainda por aplicar.
Em comunicado, a Flixbus disse que irá "acrescenta(...)
A informação foi avançada esta quinta-feira pelo diretor-geral da FlixBus em Portugal e vice-presidente para a Europa Ocidental, Pablo Pastega, num encontro com jornalistas, em Lisboa. A multinacional alemã, que entrou em Portugal em 2017, registou um volume de negócios de 90,6 milhões de euros no ano passado, pelo que as perdas estimadas com o que chama de "bloqueio ilegal" ao acesso ao terminal de Sete Rios, "o maior e mais importante" do país, representam quase 15%.
"Isto representa um dano económico enorme para a FlixBus, mas também afeta os passageiros, que se veem forçados a viajar em condições piores do que podiam", afirmou Pablo Pastega, acusando a Rede Expressos (detida maioritariamente pelo grupo Barraqueiro) de "monopólio".
Em 2023, a FlixBus apresentou uma queixa formal à Autoridade da Mobilidade e dos Transportes (AMT) por recusa de acesso ao terminal de Sete Rios, operado pela Rede Nacional de Expressos, e, em maio deste ano, o regulador determinou o acesso equitativo e não discriminatório àquela infraestrutura.
"Ao mesmo tempo que vão negando os nossos pedidos, apercebemo-nos de aumento de serviços operados pela Rede Expressos", denunciou a FlixBus, dando os exemplos dos terminais de Caldas da Rainha (distrito de Leiria) e de Fátima (Santarém).
A transportadora que opera na Europa, Estados Unidos e Ásia disse não perceber como é que, seis meses depois, a decisão continua sem aplicação efetiva, e afirmou que "Lisboa é a única capital europeia onde não tem acesso ao principal terminal da cidade".