07 nov, 2025 - 21:37 • Pedro Mesquita
Dois anos depois, as buscas que levaram à demissão de António Costa do cargo de primeiro-ministro continuam estagnadas e o seu advogado tem dúvidas sobre a "bondade e utilidade" do comunicado da Procuradoria-Geral da República (PGR) que originou o processo.
Em declarações à Renascença, João Lima Cluny, que representa o atual presidente do Conselho Europeu, revela que não tem informações para partilhar sobre a Operação Influencer.
"O que lhe posso dizer é que essa ausência de informação, acima de tudo, me faz questionar da bondade e utilidade do comunicado que em 7 de novembro de 2023 foi publicado", pela PGR.
Questionado sobre se dispõe de sinais a apontar para algum desfecho deste processo, ou para a existência de eventuais diligências, João Lima Cluny insiste que não tem qualquer informação: "Passaram dois anos desse dia (7 de novembro de 2023). Passaram mais de dois anos desde o momento em que, segundo a própria Procuradoria Geral da República, o processo foi instaurado e até agora estamos na mesma situação".
O advogado de António Costa garante nada saber, e recusa analisar as razões da demora: "Sobre isso não faço especulações. Terá que ser a Procuradoria-Geral da República a fazer esse esclarecimento".
A Renascença pediu esclarecimentos adicionais à PGR, sobre a data em que foram interpostos os recursos e se, de alguma forma, essa situação interfere com o inquérito autónomo instaurado no Supremo Tribunal de justiça, a envolver o nome do antigo primeiro-ministro António Costa, mas não recebeu qualquer resposta até ao momento.
Também a antiga diretora do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), Cândida Almeida, diz "não estar surpreendida", mas sim "expectante" com o desenvolver do processo.
"Caso se conclua que o processo está parado, ou que não têm sido feitas inteligências relevantes, bem, isso aí surpreende-me muito. Mas eu não sei se estão a fazer inteligências complementares, se esse processo - como estava interligado a outro - aguarda conclusões ou elementos do outro processo, ou deste para o outro, ou do outro para este", afirma a Procuradora-Geral Adjunta jubilada.
Esta sexta-feira, o Procurador-Geral da República, Amadeu Guerra, explicou que o processo está parado devido a recursos que têm como objetivo impedir o acesso da investigação ao correio eletrónico apreendido.
“Foi apreendido o correio eletrónico no âmbito do processo. Os arguidos interpuseram recurso e, portanto, enquanto não tivermos acesso à informação que está nos e-mails, não podemos, obviamente, avançar, uma vez que estamos dependentes de um recurso no Tribunal da Relação que ainda está por apreciar", afirmou aos jornalistas, à margem de um encontro dos Gabinetes de Apoio à Vítima, na Procuradoria-Geral da República.