11 nov, 2025 - 18:54 • Cristina Nascimento
O ministro da Educação admite alargar a proibição de smartphones nas escolas no próximo ano. Desde o início deste ano letivo é proibido uso de telefones com ligação à internet nas escolas até ao 6.º ano.
Questionado sobre o assunto, durante uma conferência na Web Summit 2025, em Lisboa, o ministro Fernando Alexandre começou por dizer que as novas regras estão a ter “muito bons resultados para o sistema educativo”, assegurando que “muitas escolas estão a proibir até ao 9.º ano, porque os alunos estão no mesmo espaço e é mais fácil fazer cumprir as regras”.
“Estamos a fazer esta proibição gradualmente, de forma a que seja pedagógico para os alunos, professores e famílias”, acrescentou.
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Questionado diretamente sobre se no próximo ano a proibição poderá estar em vigor em todas as escolas, o ministro adiantou que vão “estudar os resultados”.
“Gostamos de basear as nossas políticas em estudos, vamos ver o que acontece”, afirmou.
Noutro plano, Fernando Alexandre assumiu-se como “um tecno-otimista”.
“Acredito que a inteligência artificial vai fazer a diferença na forma como as pessoas trabalham, vivem e na eficiência”. O ministro anunciou que estão “a preparar a estratégia para a inteligência artificial na educação, que será entregue no próximo ano, no primeiro semestre”.
“Temos de introduzir a inteligência artificial em todos os níveis de ensino, desde o ensino básico ao secundário e ao ensino superior. Será um instrumento que teremos de saber utilizar para tirar partido de todo o potencial e de todas as capacidades que a inteligência artificial oferece aos utilizadores”, disse.
No entanto, adverte, “para tirar proveito disso, temos realmente de mudar a forma como aprendemos e a forma como ensinamos. Precisamos de mudar muitas dimensões do nosso sistema educativo”.
Para implementar estas mudanças, o ministro da Educação conta com renovação da classe docente.
“Temos uma parte significativa dos nossos professores, 60% deles, com mais de 50 anos. Portanto, teremos muitos professores a deixar o sistema, o que significa que teremos de contratar muitos novos professores. E, claro, isso será uma oportunidade”, disse.
Fernando Alexandre reconhece que os “professores mais velhos são muito importantes porque têm muita experiência no ensino, e isso é muito importante para os professores mais jovens. Mas, no que diz respeito às tecnologias, esperamos que os professores mais jovens sejam muito mais capazes de tirar partido das novas tecnologias”.
“Isso é uma oportunidade para o nosso sistema educativo”, remata.