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"É preciso não ter noção": Hotéis respondem a críticas pela subida de preços durante Web Summit

12 nov, 2025 - 20:20 • José Pedro Frazão , Diogo Camilo

Associação de Hotelaria de Portugal diz ter dados que mostram que o interesse no evento tem diminuido nos últimos anos e avisa que não vai aceitar que a renegociação do contrato da Web Summit, dentro de dois anos, passe pela dependência da taxa turística apenas de Lisboa.

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O presidente da Associação de Hotelaria de Portugal lembrou ao fundador da Web Summit que é a taxa turística que ajuda a financiar o evento, depois de críticas sobre a subida de preços nos hóteis da capital nos dias anteriores à cimeira.

"É preciso não ter noção nenhuma. Este evento acontece em Lisboa desde 2016 e tem merecido um apoio substancial do país, que extravasa completamente as fronteiras do turismo. Se é um evento que interessa a todo o país, então não pode ser só a taxa turística entregue pelos hoteleiros de Lisboa à cidade de Lisboa a cofinanciar este evento", considerou Bernardo Trindade em entrevista à Renascença no programa Da Capa à Contracapa, que poderá ouvir na próxima terça-feira.

O responsável vem responder às queixas de Paddy Cosgrave, que se queixou nas redes sociais de que alguns hóteis quadruplicaram ou sextuplicaram o preço por noite para os dias do evento.

"Quando alguns hóteis disparam os preços por mais de 300% e alguns por 500% comparado com os preços normais para novembro, e depois se queixam publicamente de os clientes recorrerem a Airbnb's, é difícil ter empatia", escreveu o fundador da Web Summit.

Em resposta, em declarações à Renascença, Bernardo Trindade avisa Paddy Cosgrave de que não vai aceitar que a renegociação do contrato da Web Summit, dentro de dois anos, passe pela dependência da taxa turística apenas de Lisboa.

O antigo secretário de Estado do Turismo, entre 2005 e 2011, diz mesmo ter dados de ocupação turística que provam que o evento está a diminuir o seu interesse relativo.

"O número de interessados que vêm a este evento tem vindo a reduzir-se, porque à escala global há mais concorrência. O compromisso de Portugal é até mais de dois anos, e nessa altura, se o país - todo ele, económico, social -, achar que este apoio se deve manter, nada contra. Agora, aquilo que direi sempre é que este evento não pode estar ancorado apenas na taxa turística paga pelos hoteleiros de Lisboa", afirma o também membro do Fundo de Desenvolvimento Turístico.

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