13 nov, 2025 - 16:03 • Filipa Ribeiro
A UGT aprovou esta quinta-feira a adesão à greve geral convocada para 11 de dezembro, avançou à Renascença fonte da central sindical e confirmou em conferência de imprensa esta tarde o secretário-geral da estrutura sindical.
O secretariado nacional deu "luz verde" e o conselho geral acabou por aprovar a paralisação.
Em conferência de imprensa na sede da UGT, no final das reuniões, o secretário-geral Mário Mourão sublinhou que a "UGT não quer fazer uma greve porque há sempre impactos nos rendimentos dos trabalhadores", mas que são "obrigados a fazê-lo, porque a rua é o espaço que resta quando não funciona o diálogo e a conversação". O dirigente sindical culpa o Governo por manter uma postura de pouca negociação durante as reuniões.
De acordo com Mário Mourão, o Governo entregou no início desta semana - "infelizmente depois de ser anunciada a greve" - um novo documento com alterações à proposta inicial de revisão da lei. O secretário-geral da UGT não quis avançar quais as novidades no documento, mas adiantou que "analisado por alto é muito pouco para que se desmarque a greve" e acrescenta que o documento "já devia ter surgido a mais tempo".
A estrutura sindical coloca como linhas vermelhas e necessárias de rever a questão da retoma do banco de horas o outsourcing e o novo modelo para os contratos a termo.
Para a UGT a proposta do Governo que esteve até agora em discussão "precariza a relação do trabalho e pode causar perturbação social que não é desejável em Portugal" e reforça que os jovens vão ser os mais afetados pelas alterações ao modelo de novos contratos.
No calendário de reuniões da UGT com o ministério do Trabalho está um encontro agendado para a próxima quarta feira, 19 de novembro. De acordo, com Mário Mourão a data e o encontro previsto mantem-se.
Explicador
Montenegro promete uma legislação "mais amiga do t(...)
Sobre as acusações do primeiro-ministro, Luís Montenegro, considerou "incompreensível" os motivos da greve, que sugeriu que por trás da paralisação estão motivações políticas - PS e PCP - Mário Mourão recorda que em governos socialistas a estrutura sindical também cumpriu dias de greve.
Já a ministra do Trabalho, Maria do Rosário Palma Ramalho, considerou que o anúncio da greve é "extemporâneo", afastando a possibilidade de retirar "toda a proposta" sobre revisão laboral.
Esta quinta feira na Renascença os Trabalhadores Social-Democratas inseridos na estrutura da UGT sugeriram estar insatisfeitos com a convocatória de uma greve em fase de negociações. Mário Mourão admite que "há sempre convergências" dentro da estrutura sindical "que acabam ultrapassadas" como contatado nas votações que nos órgãos internos da UGT.
A greve geral de 11 de dezembro vai juntar a UGT e a CGTP.
Em causa estão as alterações que o Governo de Luís Montenegro pretende implementar na legislação laboral.
As medidas ainda estão a ser discutidas pelos parceiros sociais, em sede de Concertação Social, mas as centrais sindicais rejeitam liminarmente algumas das propostas em cima da mesa que o Governo parece não querer abrir mão.