14 nov, 2025 - 00:37 • Marisa Gonçalves
A Associação Nacional de Transportadores Rodoviários (ANTROP), está preocupada com a sustentabilidade das empresas de transporte, em especial as pequenas e médias empresas no interior do país.
Em causa estão as dívidas do Estado referentes aos passes gratuitos para jovens e antigos combatentes. Luís Cabaço Martins, o presidente da ANTROP diz à Renascença que os reembolsos estão muito atrasados, por isso pede uma revisão da lei para acelerar os processos.
“O circuito da lei é muito longo e muito burocrático, o que acaba por potenciar esta demora. Depois, o que se passa é que nós estamos com um atraso de oito ou nove meses em média para receber os montantes a que temos direito. Relativamente aos passes dos antigos combatentes, que é uma novidade relativamente recente, com cerca de três anos, os passes têm um atraso de dois anos”, aponta.
Luís Cabaço Martins fala numa dívida de 60 milhões de euros referente aos passes gratuitos para os jovens até aos 23 anos. Em falta estão ainda 10 milhões de euros dos passes dos antigos combatentes.
O presidente da ANTROP diz também que não estão a surtir efeito os esforços do Governo e garante que há soluções.
“O Governo diz que já deu orientações e autorizações de pagamento, o que é facto é que o dinheiro não chega às empresas. Nós apresentámos duas soluções. Uma delas é a revisão da lei para encurtar os prazos de reembolso e tornar o circuito mais ágil e mais rápido. Outra delas é algo que já está na lei e que é a aplicação dos chamados pagamentos por conta para o Estado poder pagar aos operadores, por estimativa, os montantes que estão em dívida”, adianta.
No limite, o presidente da ANTROP não exclui a possibilidade de os operadores virem a suspender a venda de passes gratuitos, no entanto, diz que esse é o cenário que dever ser evitado.
“Admito que os operadores, perante uma situação de desespero como aquela em que começam a estar, possam, no limite, não disponibilizar gratuitamente os passes. Portanto, é importante acautelar que isso nunca venha a acontecer. Não é legítimo que uma medida política de apoio social beneficie todos menos aqueles que prestam o serviço. Isso é que não pode ser. Nós somos os únicos prejudicados”, alega.