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Dia Mundial da Diabetes. "É muito difícil... Nunca há injeção, está sempre esgotada"

14 nov, 2025 - 08:00 • Ana Fernandes Silva

Há cada vez mais portugueses diagnosticados com diabetes e continuam a faltar medicamentos.

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As prescrições de antidiabéticos aumentaram de 3,7% em 2017 para quase 30% em 2024. Contudo, à semelhança do que tem acontecido nos últimos anos, continuam a faltar estes fármacos nas farmácias em Portugal.

São conclusões que constam de um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) que revela mudanças na prescrição de medicamentos para a diabetes nos últimos oito anos. Há uma estabilização nos últimos dois anos nas prescrições de antidiabéticos como o Ozempic.

Em entrevista à Renascença, o investigador e coordenador do estudo, João Sérgio Neves, explica que os números podiam ser ainda mais dispares "caso não houvesse tanta falta de disponibilidade nas farmácias portuguesas".

"É gravíssimo", desabafa José Moreira, diabético tipo 2. Todos os dias, sem exceção, tem de se injetar com insulina para manter os níveis de glicose estáveis. Mas, não é só a insulina que o acompanha, "há um medicamento que faz muita falta" de toma semanal. Esse, tem falhado.

Ao balcão de uma farmácia, em Vila Nova de Gaia, José mostra a prescrição numa folha de papel. Quer levantar o tal medicamento que escasseia nas farmácias. Para o conseguir teve de deixar uma reserva com dias e dias de antecedência, caso contrário não havia disponibilidade de stock. "Já aconteceu", conta.

E como é que um diabético aguenta sem medicação? "Olhe, tem de ser" responde José de ombros encolhidos.

"Os meus diabetes sobem logo para 200 e tal, 300, não consigo controlá-los sem este medicamento, mesmo que tome a insulina", explica. E o corpo responde com "cansaço e dores musculares".

Portugal tem atualmente perto de um milhão de diabéticos, sendo que só o ano passado foram diagnosticados mais de 80 mil novos casos. Ainda assim, tal como há três anos, constatamos que continuam a faltar medicamentos para controlar a doença.

"Eu acho que o mal destes medicamentos é que também fazem perder peso, as pessoas tomam muito isto, eu ando no ginásio sei do que estou a falar", adverte José.

Este ano, o Governo decidiu restringir as especialidades que podem prescrever antidiabéticos. Tudo por causa da indisponibilidade dos medicamentos da classe dos agonistas dos recetores GLP-1, onde se inclui o Ozempic, desenvolvido para tratar a diabetes tipo 2, mas que é usado para perda de peso.

Para Ludovina Pinto tem sido "muito difícil, mesmo muito complicado". Para combater a diabetes tipo 2 precisa da injeção semanalmente, mas "nunca há a injeção, está sempre esgotada".

Ludovina Pinto tenta sempre garantir reserva com um mês de antecedência, mas nem sempre acontece. Quando não o faz o azar bate à porta: "tenho de andar em muitas farmácias para ver se consigo arranjar", lamenta.

Já para João Sérgio Neves, o ponto de partida para resolver este problema que afeta tantos diabéticos em Portugal "é perceber qual a origem".

"É muito importante identificarmos qual é que está a ser a barreira, temos realmente que perceber se a barreira está do lado do Infarmed ou do lado da forma como são distribuídos os medicamentos", defende.

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  • Pois
    14 nov, 2025 cá 09:21
    Médicos que cedem à pressão e prescrevem Trulicity e Ozempic para badochas perderem peso, contrabando destes medicamentos para outros países, produção insuficiente dos laboratórios com a patente, tudo isto ajuda à escassez.

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