15 nov, 2025 - 01:38 • Marisa Gonçalves
A Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP) realiza neste fim de semana, em Alcobaça, o seu congresso nacional, com uma série de reivindicações em cima da mesa. O presidente da Liga, António Nunes, refere à Renascença que um dos temas em discussão vai ser o reforço orçamental das associações humanitárias.
“Há um subfinanciamento crónico das associações humanitárias de bombeiros e não vimos espelhado, novamente, no Orçamento para 2026, qualquer reforço orçamental que nos permita dizer que houve alguma atenção face ao constrangimento que as associações têm”, alega.
O congresso vai servir também para reclamar apoios ao voluntariado. “Os bombeiros voluntários com contratos de trabalho com as associações humanitárias, que são hoje importantes para uma primeira resposta, não têm um estatuto, nem uma carreira. Outra grande questão é ter um estatuto do bombeiro voluntário que permita manter e cativar os nossos jovens para o voluntariado. Ainda ontem 6.300 bombeiros acorreram a situações de cheias e inundações”, sustenta.
António Nunes afirma que é necessário que os agentes políticos olhem para o sistema como a solução para o socorro em Portugal. “Para isso, precisamos de ajudar o sistema sobreviver, defende.
O valor previsto no Orçamento do Estado para 2026, quanto ao financiamento das corporações de bombeiros voluntários, é de cerca de 37 milhões de euros. O número é considerado insuficiente para a Liga dos Bombeiros que reclama, pelo menos, 49 milhões de euros.
“Nós calculámos o valor por hora do rendimento mínimo mensal garantido, que são cerca de cinco euros. Se multiplicarmos cinco euros pelos residentes no território do continente, que são cerca de 9,8 milhões de pessoas, dará cerca de 49 milhões de euros. É isto que achamos justo. Julgo que não é demais, tanto que outras organizações na área da segurança têm conseguido obter ganhos de causa e os bombeiros têm ficado para trás, o que nos cria um grande desconforto”, declara.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, irá marcar presença no congresso da LBP, este sábado. António Nunes diz que espera ouvir medidas concretas.
“Vamos ver o que é que o Senhor Primeiro-Ministro nos tem para dizer e no final vamos retirar as nossas devidas ilações. Há uma tradição de congressos passados terem feito exigências muito grandes do ponto de vista organizativo. Os bombeiros não voltam a cara à luta e vamos lutar por aquilo que consideramos ser justo para nós porque queremos é ter capacidade para prestar socorro aos cidadãos”, adianta.
O 45.º congresso da LBP vai decorrer até domingo no Panorama – Multiusos de Alcobaça.