16 nov, 2025 - 15:30 • Ana Fernandes Silva
O que há um dia era conforto agora é lixo.
Na Rua da Lage, em Modivas, há cinco contentores da Câmara Municipal de Vila do Conde cheios de entulho. Desde sofás, a colchões, brinquedos, móveis e eletrodomésticos são incontáveis, para já, os estragos provocados pelas inundações.
Armando Pereira vive na freguesia de Modivas há quase 60 anos e garante que nunca viu nada como o que aconteceu na madrugada de sábado. "Não há palavras, até eu estou comovido", desabafa.
"Esta foi por demais", lamenta Armando, garantindo que apesar de já terem acontecido outros episódios de inundações, nada se assemelha ao episódio deste fim de semana.
Em declarações à Renascença, Armando emocionado sublinha que apesar de ter escapado às inundações, o morador não consegue ficar indiferente à "tragédia que aconteceu" nas casas a poucos metros da sua.
Na Rua da Lage os moradores de 16 casas têm dias de limpezas pela frente. E até quem não sofreu danos materiais ajuda no que pode.
Os moradores das casas afetadas pouco ou nada saem à rua, tal é o estado de tristeza que vivem nestes dias. Agora, resta arregaçar mangas e fazer o levantamento dos estragos provocados pela depressão Cláudia.
O estado do tempo deve dar tréguas a partir deste domingo e, por isso, o vice presidente da junta de freguesia espera que o nível da água da ribeira não volte a subir.
Paulo Costa esclarece que "esta noite foi mais tranquila, a ribeira mantem-se no seu leito e se o tempo se mantiver sem muito chuva deverá continuar toda ela dentro dos seus limites".
"Os moradores continuam a fazer os trabalhos de limpeza, agora é um trabalho mais específico, é preciso retirar muita lama que ainda há dentro das casas", explica o vice-presidente da junta.