19 nov, 2025 - 10:28 • Olímpia Mairos
[notícia atualizada às 16h15, com número de imigrantes inscrito pelas detidas]
A Polícia Judiciária (PJ), através da Diretoria do Centro, realizou mais uma fase da operação “Gambérria”, que resultou na detenção de duas mulheres suspeitas de participarem numa rede de auxílio à imigração ilegal.
As detidas, de 40 e 54 anos, são funcionárias administrativas de uma Unidade de Saúde Familiar (USF). Segundo a Lusa, fonte da investigação indica que as duas mulheres inscreveram 10 mil imigrantes no Serviço Nacional de Saúde (SNS).
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"As senhoras recebiam a informação das pessoas que tinham de inscrever, sem preencher os critérios [como o comprovativo de morada] e eram inscritas em massa. Estamos a falar de um universo enorme, conseguimos perceber que terão inscrito, num ano e meio, cerca de 10.000 pessoas", disse à agência Lusa fonte da Diretoria do Centro da PJ.
Ainda segundo a mesma fonte, ligada à investigação da operação "Gambérria", quase 500 pessoas deram a mesma morada numa rua de Lisboa.
Segundo a PJ, a obtenção do Número Nacional de Utente (NNU) constitui um passo essencial no processo de legalização em Portugal, permitindo o acesso a cuidados médicos através do SNS. As suspeitas terão usado o seu cargo para introduzir dados falsos e facilitar a atribuição indevida desses números.
O grupo criminoso terá vindo a dedicar-se à legali(...)
Nesta fase da operação foram realizadas duas buscas domiciliárias e uma busca nas instalações da USF onde as mulheres trabalhavam.
Das diligências resultou a apreensão de um vasto conjunto de documentos utilizados em processos fraudulentos, que, segundo a investigação, ligam diretamente as detidas à prática de “crimes de corrupção passiva, auxílio à imigração ilegal e falsidade informática”.
As duas mulheres foram detidas em cumprimento de mandados emitidos pelo DIAP Regional de Coimbra e serão presentes ao Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC) para aplicação das respetivas medidas de coação.
A operação “Gambérria”, conduzida pela Polícia Judiciária, já levou à detenção de 16 pessoas e à constituição de 26 arguidos, entre os quais se encontram sete empresários, uma advogada e uma funcionária do Ministério dos Negócios Estrangeiros, afeta à Direção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas.
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