19 nov, 2025 - 12:48 • Jaime Dantas
O Rendimento Social de Inserção (RSI) cobre apenas 40% do limiar de pobreza, resultado de uma queda do valor real do apoio que situa entre os 20% e 40% nos últimos 15 anos, revela esta quarta-feira um estudo do Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE).
À Renascença, o investigador Renato do Carmo, aponta como principais causas "alterações lesgislativas", bem como os "períodos de austeridade" vividos durante os últimos anos, e que culminaram numa situação "preocupante", diz.
"Os beneficiários, em grande medida, acabam por ter menos capacidade, que já era bastante limitada, do que tinham anteriormente e, portanto, é essa erosão da própria política que nós identificamos no estudo. Isso em parte corre por um conjunto de alterações que foram sendo feitas", continua.
Por outro lado, acrescenta Renato do Carmo, "também o número de beneficiários da RSI é um dos mais baixos de sempre", o que torna o impacto da medida "mais limitado que anteriormente".
Não existem dados que possam explicar a redução, mas pode influenciar, ainda que indiretamente, o aumento da população empregada, aponta ainda o investigador.
Para além disso, o Renato do Carmo recorda que " a medida tem sido alvo de mistificações do ponto de vista mais político e de alguma estigmatização relativamente aos beneficiários".
"Seria importante perceber até que ponto a própria estigmatização pode estar a contribuir para a redução no número de benificiários", recomenda.
Tendo em conta o enfraquecimento do principal instrumento de integração social do país, o docente do ISCTE defende "uma reflexão" em torno do reforço do RSI.
"Esta medida é uma gotinha no orçamento e, portanto, acho que isso é uma discussão importante. Estamos a falar de pessoas que estão em situação muito difícil", remata.