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Conferência Médis e Renascença

"Muitas famílias não têm capacidade financeira para suportar custos com tratamentos dentários"

20 nov, 2025 - 10:56 • Diogo Camilo

Estudo mostra que Portugal está abaixo da média europeia da saúde oral e uma das principais causas é a "desigualdade de acesso" a dentistas e tratamentos. Dois em cada três portugueses tem ausência de, pelo menos, um dente natural.

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A saúde oral dos portugueses está abaixo da média europeia e um dos "fatores críticos" que contribui para o problema é a "desigualdade no acesso" a dentistas e tratamentos dentários.

Na apresentação do estudo “A relação entre a saúde oral e a qualidade de vida da população idosa em Portugal”, desenvolvido pela Médis em parceria com o Fórum Saúde XXI, é concluído que a saúde oral tem "impacto direto" na autoestima, capacidade de comunicação, alimentação e envolvimento social dos portugueses.

A investigação reúne vários artigos científicos e relatórios técnicos e apresenta números: dois em cada três portugueses tem ausência de, pelo menos um dente natural. E cerca de 2,9 milhões de pessoas vivem com seis ou mais dentes em falta - ou seja, cerca de um em cada quatro portugueses. E os números excluem os dentes do siso.

Para o fundador e diretor executivo do Fórum Saúde XXI, Pedro Serra Pinto, uma das grandes causas é a "necessidade de suportar diretamente os custos dos tratamentos", que leva muitas famílias com menos capacidade financeira a não procurar os cuidados de saúde oral.

"Muitas famílias, sobretudo famílias com rendimentos mais baixos, não têm capacidade financeira para suportar os custos com tratamentos dentários", afirma, referindo que a medicina dentária continua a ser um "parente pobre" do Estado ao lado da medicina.

O estudo, que teve como objetivo identificar os principais problemas de saúde oral de idosos, como afetam o seu bem-estar e analisar o impacto da perda dentária e do uso de próteses, junta ainda várias recomendações para a promoção da saúde oral na terceira idade.

Na conferência realizada no auditório da Renascença, o responsável do Fórum Saúde XXI lembrou alguns dos efeitos da perda de dentes, como a exclusão social.

"Muitas vezes, com a perda de dentes, as pessoas podem isolar-se, sentir-se inseguras. Vai influenciar e dificultar a fala, cria um problema de relacionamento social. É por isso que algumas pessoas mais velhas que não têm dentes sentem dificuldade em comunicar e evitam ambientes em que têm de se expor", exemplificou Pedro Serra Pinto.

Entre as seis recomendações, o diretor executivo pediu a melhoria de acesso a cuidados de saúde oral no Serviço Nacional de Saúde, para "quebrar barreiras económicas" que impedem os portugueses de ter saúde oral, além de programas de prevenção e reabilitação oral em lares e unidades de cuidados continuados.

Pedro Serra Pinto pediu também um reforço da educação em saúde oral para idosos e cuidadores, a promoção de campanhas de sensibilização para a terceira idade e um compromisso político para a adoção de medidas sustentáveis e equitativas.

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