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Ozempic. Médica suspeita sujeita a caução de 500 mil euros

20 nov, 2025 - 17:50 • Daniela Espírito Santo com Lusa

A endocrinologista detida na quarta-feira, no Porto, por alegado envolvimento num esquema fraudulento de prescrição de medicação para diabetes a utentes que queriam perder peso, sai em liberdade.

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A endocrinologista detida na quarta-feira, no Porto, por alegado envolvimento num esquema fraudulento de prescrição de medicação para diabetes a utentes que queriam perder peso foi libertada, mas sujeita a uma caução de 500 mil euros.

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Além da caução, a médica, que foi esta quinta-feira presente a primeiro interrogatório judicial no Tribunal de Instrução Criminal do Porto, ficou proibida de contactar com "testemunhas identificadas e a identificar nos autos", com "utentes, não diabéticos, a quem tenha prescrito fármacos para a diabetes", bem como de frequentar a clínica onde dava consultas ou de se "ausentar para o estrangeiro sem autorização".

Segundo a determinação, a que a Renascença teve acesso, a médica está, igualmente, suspensa de "funções da atividade".

A caução deverá ser prestada no prazo de 30 dias, através de depósito bancário, segundo fonte judicial citada pela Lusa.

Foram ainda constituídos arguidos outra médica, um advogado e uma empresa, de acordo com a mesma fonte.

A médica está a ser investigada desde 2020, revelou um coordenador de investigação criminal da PJ/Porto na quarta-feira, em conferência de imprensa.

"Esta investigação representa o esforço de mais de quatro anos de recolha e correlação de provas", afirmou Rui Zilhão.

Segundo o mesmo responsável, a investigação teve início com uma denúncia e apurou que a médica prescrevia este tipo de medicamentos desde 2014.

A suspeita terá lesado o Estado em mais de três milhões de euros, por via do pagamento de taxas de comparticipação obtidas de forma fraudulenta, indicou.

A médica e os restantes arguidos são suspeitos da prática dos crimes de burla qualificada e falsidade informática.

De acordo com Rui Zilhão, já foi recolhida prova suficiente para indiciar que um grupo de pessoas e uma empresa gizou um estratagema para prescrever medicamentos destinados ao tratamento da diabetes mellitus tipo 2 a pessoas que procuravam perder peso.

Entre 1.000 a 2.000 utentes terão recebido estas prescrições. Um dos próximos passos da investigação é apurar se esses utentes sofrem ou não de diabetes, explicou o coordenador.

"Os utentes iam passando a palavra de que determinada clínica tinha excelentes resultados ao nível do emagrecimento", disse Rui Zilhão.

"O mecanismo como era prescrita a medicação ainda está em apreciação", acrescentou.

As buscas envolveram 40 inspetores da Polícia Judiciária e da Autoridade Tributária, e realizaram-se nas casas dos arguidos, num escritório de advogados e numa clínica de saúde no Porto, bem como nas sedes de duas empresas em Albufeira (Faro) e no Funchal (Madeira).

Foram também efetuadas buscas em gabinetes de contabilidade em Santa Maria da Feira e Lousada, no distrito do Porto.

[Notícia atualizada às 19h30]

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