20 nov, 2025 - 12:03 • Miguel Marques Ribeiro com Lusa
A Ryanair vai encerrar todos os voos para os Açores a partir de março de 2026, alegando as elevadas taxas aeroportuárias e "a inação do Governo", anunciou a companhia aérea de baixo custo esta quinta-feira.
A Ryanair acusa a ANA - Aeroportos de Portugal de ter uma "posição monopolista" no mercado.
Numa nota enviada à imprensa, a secretaria regional do Turismo, Mobilidade e Infraestruturas "manifestou surpresa" com a posição assumida pela companhia área.
"O comunicado emitido hoje é entendido como extemporâneo, contrariando inclusivamente notícias e declarações recentes do CEO da companhia em que afirmava a vontade de investir nos Açores e reativar a base operacional em Ponta Delgada", afirma o governo regional.
As autoridades açorianas reconhecem que "decorre um complexo processo de interação, que envolve várias entidades" e que há "questões alegadamente relacionadas com taxas aeroportuárias e ETS" a ser debatidas, mas que estas são "alheias à Região".
A ANA - Aeroportos de Portugal também manifestou "surpresa" com o posicionamento da Ryanair.
Em comunicado a que a Renascença teve acesso, a ANA adianta que as conversas mais recentes mantidas com a companhia irlandesa foram "no sentido de aumentar, e não reduzir, a sua oferta de voos para Ponta Delgada".
A ANA defende-se ainda das críticas às taxas aeroportuárias praticadas no arquipélago: "As taxas aeroportuárias em vigor nos Açores, as mais baixas da rede, têm sido inalteradas em 2025 não tendo a ANA proposto qualquer aumento para 2026. Essa redução de custo em termos reais (i.e. retirando o efeito da inflação) não pode assim justificar a mudança de posição da companhia".
A Aeroportos de Portugal lembra ainda que as rotas entre Ponta Delgada e Lisboa e Ponta Delgada e o Porto são "também operadas pela SATA e pela TAP".
A deputada socialista açoriana Marlene Damião considerou que a anunciada saída da Ryanair das rotas com os Açores constitui um "retrocesso brutal" para a mobilidade dos açorianos e um "duro golpe" para o turismo.
Damião acusa a coligação do PSD, CDS-PP e PPM que governa o território de ser "cúmplice, pela omissão e alinhamento político com a ANA e com o Governo da República". "É lamentável assistir à inércia" do executivo açoriano, acrescenta.
Numa nota de imprensa acompanhada de uma declaração áudio, a deputada da oposição refere que, "após 10 anos de operações durante todo o ano, uma das regiões mais remotas da Europa perde agora ligações diretas de baixo custo, nomeadamente para Lisboa e Porto, num contexto de custos aeroportuários elevados e inação política".
Ainda a nível político, o Chega/Açores pediu esclarecimentos ao Governo dos Açores. O líder parlamentar José Pacheco, afirma que o setor do turismo se vai "ressentir com esta decisão", que classifica de "retrocesso para os Açores".
O partido teme que a região fique dependente de um número reduzido de operadores e que os açorianos deixem "de ter escolha quando quiserem sair e entrar na região".
"Vemos este anúncio com muita preocupação. E esperamos que esta notícia seja uma tentativa de pressão junto do Governo e não uma ação clara que faça, e que terá com certeza, impacto muito grave na economia dos Açores", declarou o responsável.
[Notícia atualizada às 15h49 com reação da ANA - Aeroportos de Portugal]