25 nov, 2025 - 18:20 • Pedro Mesquita
Eduardo Marçal Grilo considera, em entrevista à Renascença, que é "um erro crasso, um erro grosseiro" travar o descongelamento das propinas, defendido pelo Governo.
É com estes adjetivos que o antigo ministro da Educação no executivo de António Guterres qualifica a decisão do PS e do Chega e sublinha que, "ao não cobrar uma propina ao estudante, o Estado está a fazer uma injustiça, que é pagar o estudo a quem não precisa".
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Marçal Grilo acrescenta: "se a vida é cara, a ação social escolar tem que ser suficiente para que os estudantes possam pagar o alojamento, possam pagar os transportes, possam pagar os livros, possam pagar o computador, possam pagar para que ele possa estudar". E o ex-ministro conclui: "não é através da redução da propina que se dá este apoio".
Como olha para o chumbo do descongelamento das propinas no Ensino Superior, assegurado pelo PS, no Parlamento, com o apoio do Chega?
É um erro crasso, é um erro grosseiro, e que traduz uma certa forma de olhar para o ensino superior, para a ação social escolar, para o apoio aos mais desfavorecidos e de apoio àqueles que têm maiores possibilidades. O que significa é que, por trás desta decisão de não permitir o aumento do valor das propinas - não sei se são 13, são 10, são 50 (euros), não faço ideia nenhuma qual é o valor...
Sim, é um valor é meramente simbólico...
Perfeitamente simbólico. Este simbolismo deve ser interpretado como traduzindo uma ideia de fundo sobre o ensino superior: O Estado tem a obrigação de apoiar todos, para que ninguém fique de fora do ensino superior. No entanto, aqueles que podem dar um contributo financeiro devem dá-lo. Ao não cobrar uma propina ao estudante, o Estado está a fazer uma injustiça: Está pagar o estudo a quem não precisa.
O que me está a dizer, basicamente, é que quem não tem condições deve ter apoio da ação social escolar...
Não é deve ter, é tem que ter...
OE2026
O Governo tencionava descongelar o valor das propi(...)
Mas os outros que podem pagar, devem pagar?
Devem pagar. Devem pagar não propriamente os custos reais, porque os custos reais em alguns casos são exageradíssimos. Mas devem pagar, porque [o estudante] adquire. Ele adquire. É um investimento que ele faz. É um investimento que fica para ele, individualmente. E pode ficar aqui, pode ir para os Estados Unidos, pode ir para a Alemanha, pode ir para onde quiser, e leva consigo esse "mais" que tem.
Os defensores do congelamento dizem que estudar é hoje quase impossível. As casas são caras, os alojamentos, etc. Isso, por si só, não justifica este congelamento? Ou poderia justificar?
Não, claro que não justifica. O que eles querem dizer é que a vida é cara. Se a vida é cara, a ação social escolar tem que ser suficiente para que os estudantes possam pagar o alojamento, possam pagar os transportes, possam pagar os livros, possam pagar o computador, possam pagar para que ele possa estudar. Agora, não é através da redução da propina que se dá este apoio.
Se há dificuldades no alojamento, o Estado tem que investir no alojamento, ou tem que pagar aos estudantes para que eles possam ter as condições de obter um alojamento condigno.
O senhor foi ministro da Educação no Governo de António Guterres, num governo do Partido Socialista. Ficou surpreendido com esta posição do PS?
Não. Eu acho que os partidos votam em função de outras coisas. Isto é apenas para votar contra o Governo, acho eu. É uma maneira de se manifestarem contra, pronto. Como estão convencidos de que estão a beneficiar, e a captar, eleitorado jovem, fazem uma coisa dessas. É um erro e um erro grosseiro.