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Operação "Safra Justa"

Rede criminosa desmantelada pela PJ controlava 500 imigrantes, nem todos vítimas

26 nov, 2025 - 12:00 • Lusa

Os detidos vão começar a ser presentes hoje, a partir das 14h00, ao Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), em Lisboa, para primeiro interrogatório judicial e aplicação das respetivas medidas de coação

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A organização criminosa desmantelada na terça-feira na operação "Safra Justa" da Polícia Judiciária (PJ) controlava cerca de 500 trabalhadores estrangeiros no Alentejo, mas nem todos são considerados vítimas de tráfico, revelou hoje fonte policial.

A fonte policial contactada pela agência Lusa explicou que "cerca de 500 trabalhadores estrangeiros, mas nem todos necessariamente vítimas de tráfico, estavam sob alçada desta organização criminosa".

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Os alegados crimes sob investigação vêm desde 2023 até à atualidade e, na sequência da operação policial desenvolvida na terça-feira, estão a ser inquiridas vítimas para memória futura nas instalações da Base Aérea n.º 11 de Beja (BA11), indicou.

"Mas, ao longo destes anos, têm vindo a ser ouvidas outras vítimas", acrescentou a fonte.

Na terça-feira, em comunicado, a PJ anunciou ter desenvolvido a operação "Safra Justa", que permitiu desmantelar uma organização criminosa de auxílio à imigração ilegal que controlava centenas de trabalhadores estrangeiros, a maioria em situação irregular em Portugal.

No total, foram detidas 17 pessoas, incluindo 11 elementos de forças de segurança - 10 militares da GNR e um elemento da PSP - e seis civis, entre os 26 e os 60 anos.

Os detidos vão começar a ser presentes hoje, a partir das 14h00, ao Tribunal Central de Instrução Criminal (TCIC), em Lisboa, para primeiro interrogatório judicial e aplicação das respetivas medidas de coação, revelou hoje a fonte policial à Lusa.

Os factos investigados, de acordo com o Ministério Público (MP) e a PJ, são suscetíveis de integrar a prática dos crimes de auxílio à imigração ilegal, tráfico de pessoas, corrupção ativa e passiva, abuso de poder, falsificação, fraude fiscal e branqueamento de capitais.

Os 10 militares da GNR detidos, à data dos alegados crimes, pertenciam ao Comando Territorial de Beja da GNR, enquanto o agente da PSP, do Comando Distrital de Beja da Polícia, estava de baixa desde setembro de 2024, foi revelado na terça-feira.

Quanto aos seis civis, a fonte policial precisou hoje à Lusa que quatro são portugueses e dois são estrangeiros, "todos membros da organização criminosa".

"Os dois estrangeiros são indostânicos e angariavam as vítimas dessa mesma origem e acabavam também por coagi-las e ameaçá-las", argumentou.

Entre os portugueses, prosseguiu, encontra-se "o cabecilha" da rede, que foi "detido na via pública em Beja, às 05:00 de terça-feira", enquanto os restantes eram "seus braços direitos".

A operação foi realizada através da Unidade Nacional Contra Terrorismo (UNCT) da PJ, no âmbito de um inquérito titulado pelo Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP).

No total, foi dado cumprimento a cerca de 50 de mandados de busca e 17 mandados de detenção, não só em Beja, mas também em Portalegre, Figueira da Foz e Porto.

O MP argumentou que os suspeitos aproveitaram-se "da situação de fragilidade (documental, social e económica) de cidadãos originários de países terceiros, na sua grande maioria indocumentados, para daí retirarem avultadas vantagens económicas".

Os imigrantes "estavam dispostos a trabalhar sem contrato formalizado" e recebiam "remuneração inferior à praticada no mercado para as funções" a realizar, por exemplo na agricultura.

"Os suspeitos não entregaram àqueles os valores prometidos, tendo-lhes deduzido montantes arbitrariamente impostos, referentes a despesas de alojamento, transporte, água, eletricidade e documentação", salientou.

Os elementos de forças de segurança suspeitos, disse o MP, controlavam e vigiavam os trabalhadores estrangeiros "a troco de compensação económica" e "ameaçavam ainda aqueles cidadãos, dando-lhes a entender que a queixa às autoridades não seria uma alternativa viável para reagir aos abusos" de que eram alvo.

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