26 nov, 2025 - 17:03 • Ricardo Vieira , Tomás Anjinho Chagas
A UGT mantém a greve geral de 11 de dezembro após uma reunião com o primeiro-ministro, Luís Montenegro. Em causa está a reforma da legislação laboral.
A reunião desta quarta-feira foi "construtiva", mas "até à greve não é possível haver acordo", sublinha o secretário-geral da UGT, Mário Mourão, em declarações aos jornalistas.
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A UGT "mostrou disponibilidade de continuar a negociação e da parte do Governo também essa vontade de continuar a negociar", salientou o líder da UGT.
Explicador
Montenegro promete uma legislação "mais amiga do t(...)
No entanto, "a greve vai manter-se", afirmou Mário Mourão. "Não pusemos sequer essa questão em cima da mesa", frisou.
O secretário-geral da UGT diz que a central sindical e o Governo vão "continuar a trabalhar no sentido de encontrar pontos em comum para ver se há ou não margem para um acordo".
"São mais de 100 artigos, muitos deles são artigos muito sensíveis para os trabalhadores e têm impacto nos trabalhadores. O principal aqui era se as partes estavam disponíveis para o diálogo e para a negociação. Isso foi reafirmado pelo Governo e pela UGT", assinalou Mário Mourão.
O líder da central sindical revela que foi a São Bento para explicar as razões que levaram a UGT a aderir à greve geral, assegura que não foi discutida nenhuma medida em concreto, e argumenta que o encontro serviu para colocar água na fervura entre a UGT e o Governo.
"Foi importante para desanuviar o ambiente pesado que havia nas negociações", adiantou Mário Mourão, na residência oficial do primeiro-ministro.
No entanto, o secretário-geral da UGT garante que não há nada de pessoal contra a ministra, mas assume que era importante a entrada em cena de Luís Montenegro. "Isto não é uma questão do ministério A ou do ministério B, é uma questão do Governo, e o chefe do Governo é o primeiro-ministro".
Questionado se espera voltar a ser recebido em São Bento, Mário Mourão acredita que "não seja mais necessário", por considerar que as negociações têm agora de passar para "outro nível".
Nesta reunião, além do primeiro-ministro, esteve presente a ministra do Trabalho e Segurança Social, Maria do Rosário Palma Ramalho. Do lado da UGT, Lucinda Dâmaso, presidente da União Geral dos Trabalhadores, que é também atualmente vice-presidente do PSD e líder dos TSD (Trabalhadores Social-Democratas), afetos ao PSD.
Já o primeiro-ministro, Luís Montenegro, fez uma declaração curta aos jornalistas sobre o tema, em que garantiu que a audiência que teve com a UGT não pretendia desconvocar a greve geral de 11 de dezembro.
À margem de um evento organizado pela CAP, Confederação dos Agricultores Portugueses, Luís Montenegro assegurou que a reunião com a UGT manteve um espírito "positivo, frontal, dialogante e construtivo".
Questionado pela razão de, apesar disso, não ter sido possível fazer a UGT mudar de opinião e evitar a greve, o primeiro-ministro responde: "Não foi abordado o tema com esse ângulo", assegura, em declarações ao fim da tarde desta quarta-feira.
Montenegro lembra que foi a UGT que solicitou a audiência, e fala numa "reunião muito importante".
[artigo atualizado às 18h52 com a declaração de Luís Montenegro sobre o tema]