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Solidariedade

Banco Alimentar. "Os pedidos de ajuda não estão a diminuir"

28 nov, 2025 - 06:33 • Henrique Cunha

Isabel Jonet, presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome, manifesta-se preocupada com o facto de, "ano após ano não, diminuírem os pedidos de ajuda". Este fim de semana decorre mais uma campanha de recolha de alimentos.

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A presidente da Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares Contra a Fome (FPBA), Isabel Jonet, diz à Renascença que “o estilo das pessoas que pedem ajuda se alterou".

"Já não são apenas as pessoas mais velhas com baixas pensões, ou pessoas com deficiência, ou com características desadequadas ao mercado de trabalho”, diz Jonet, na véspera de mais uma campanha de recolha de alimentos, sublinhando o facto de “não estar a diminuir o conjunto de pedidos de ajuda”.

"É isso que nos preocupa, porque ano após ano o que nós vemos é que não diminuímos os pedidos de ajuda e que, embora se tenha alterado o perfil das pessoas que são ajudadas, não há uma diminuição dos pedidos de ajuda”, lamenta.

Isabel Jonet alerta, por outro lado, para o aumento da pressão “sobre as instituições que, no terreno, têm que dar auxílio a estas famílias, porque as próprias instituições têm cada vez mais custos, mais encargos e têm uma grande dificuldade em conseguir manter as ajudas que prestam”.

Por isso, a responsável afirma que, “mais do que os números, que são muito expressivos, é fundamental apelar à participação para que os 21 bancos alimentares continuem a ajudar as pessoas a ter uma vida mais digna”.

De acordo com a presidente da FPBA, hoje o estilo das pessoas que pedem ajuda alterou-se, porque surgem “muitas famílias que têm trabalho, que são trabalhadores, famílias em idade ativa e, muitas vezes, com crianças e que não conseguem satisfazer todas as necessidades do seu agregado familiar", porque o "peso da habitação, mas também porque o peso da energia, do preço dos alimentos, hoje é incomportável”.

“Temos, muitas vezes, muitas famílias que, se não fosse o saco do Banco Alimentar que é entregue por uma das instituições parceiras, não conseguiriam sobreviver”, acrescenta.

No ano passado, os 21 bancos alimentares distribuíram mais de 27 mil toneladas de alimentos, com o valor estimado de 45 milhões de euros, prestando assistência a 2.400 instituições que apoiaram perto de 380 mil pessoas.

Isabel Jonet reforça o apelo à partilha e à ajuda nesta nova campanha do Banco Alimentar, que "é uma rede social real, que leva alimento à mesa de quem precisa".

“Hoje vivemos muito nas redes sociais, mas esta que o Banco Alimentar renova é uma rede social real, que leva alimento à mesa de quem precisa, que permite lutar contra a pobreza, gerando autonomias e aliviando sofrimentos e carências”, reforça.

A presidente da FPBA insiste no apelo à "participação cívica, ao voluntariado e à partilha", porque as campanhas do Banco Alimentar têm "a capacidade de levar esperança às pessoas que muitas vezes a perderam".

No fim-de-semana, decorre mais uma campanha de recolha de alimentos. A iniciativa solidária de 29 e 30 de novembro, bem conhecida dos portugueses, “envolve a participação de mais de 42 mil voluntários em duas mil lojas distribuídas por todo o país, num convite à partilha de alimentos com quem mais precisa, para que possa ter uma vida mais digna”. A campanha prolonga-se até dia 7 de dezembro em www.alimentestaideia.pt.

O Banco Alimentar foi criado em Portugal em 1991 com a missão de lutar contra o desperdício e distribuir apoio a quem mais precisa de se alimentar, em parceria com instituições de solidariedade e com base no trabalho voluntário. Existem 21 Bancos Alimentares: nas zonas de Abrantes, Algarve, Aveiro, Beja, Braga, Castelo Branco, Coimbra, Cova da Beira, Évora, Leiria-Fátima, Lisboa, Madeira, Zona Oeste, Portalegre, Porto, S. Miguel, Santarém, Setúbal, Terceira, Viana do Castelo e Viseu. A Federação Portuguesa dos Bancos Alimentares encoraja a rede e representa os Bancos Alimentares a nível nacional e internacional.

Banco Alimentar do Porto promove a manhã da criança

No Porto, no ano passado, a campanha do banco alimentar de dezembro recolheu 409 toneladas de alimentos e contou com mais de 6500 voluntários.

Em declarações à Renascença, a presidente do Banco Alimentar do Porto, Bárbara Barros, refere que esperam superar os valores 2024 e “que isto é uma esperança muito grande, dado a quantidade de pessoas que quer integrar este fim de semana tão especial”.

Barbara Barros pede a todos que abracem esta causa por que “quando as famílias não conseguem pagar a alimentação, quer dizer que a dignidade humana já começa a ser posta em causa” e sublinha que ao contribuírem nesta campanha “podemos juntos construir uma sociedade mais digna e justa”.

Além dos dois dias de recolha, o Banco Alimentar do Porto vai contar ainda com a “Manhã da Criança”, uma atividade dedicada a crianças até aos 14 anos onde se pretende mostrar “aos pequenitos o que é que é isto do Banco Alimentar, o que é estar na porta do supermercado, que é normalmente o sítio onde mais se destacam".

“Nós acreditamos que a sociedade futura são estas crianças e a partir do momento em que se incute nesta educação, nesta vontade de melhorar uma sociedade, de fazer parte dela com algum compromisso, nós temos seres humanos mais capazes no futuro e com uma visão um bocadinho mais global” enfatiza Bárbara Barros.

A presidente do Banco Alimentar do Porto esclareceu ainda que quem não pode contribuir neste fim de semana a campanha online está aberta até ao dia 7 de dezembro e que nos supermercados continua a ser possível doar através de vales até a mesma data.

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