01 dez, 2025 - 15:08 • João Malheiro com Lusa
A Associação Coração Silenciado, que reúne vítimas de abuso sexual na Igreja Católica, lamenta o que diz ser a lentidão e falta de transparência do processo com vista à atribuição de compensações financeiras.
Em comunicado divulgado esta segunda-feira, a associação refere a falta de informação sobre o montante global a atribuir e critica a forma como são realizadas as entrevistas às vítimas.
Esta posição surge depois de o Grupo VITA, nomeado pela Conferência Episcopal para conduzir este processo, ter divulgado que o número de pedidos aumentou para 93.
O processo de análise e entrevistas deverá estar concluído no início de 2026 para que depois a CEP avance para a atribuição das compensações.
Na quinta-feira, a coordenadora do Grupo VITA, Rute Agulhas, afirmou que "efetivados não significa que vão, necessariamente, receber uma compensação", estando os 93 processos em análise e estudo e, em algumas destas situações, ainda se aguardar informação por parte da própria Igreja.
A responsável disse ainda que não foi pedida ao Grupo VITA uma sugestão de montante financeiro para as indemnizações, mas sim "uma análise um pouco transnacional", para perceber "o que é que aconteceu nos demais países".
Cruzando essa informação com a jurisprudência nacional, Rute Agulhas acredita que se chegue a valores para a compensação financeira.
O Grupo VITA, criado pela CEP para acompanhar as situações de abuso sexual na Igreja Católica, apresenta-se como uma estrutura autónoma e independente, que visa acolher, escutar, acompanhar e prevenir as situações de violência sexual de crianças e adultos vulneráveis no contexto da Igreja Católica.