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O que é uma hérnia encarcerada?

01 dez, 2025 - 23:38 • Fábio Monteiro , José Carlos Silva

A hérnia encarcerada é uma urgência médica em que parte do intestino fica presa fora da cavidade abdominal. O cirurgião Rui Costa explicou à Renascença os riscos associados à condição e à cirurgia que pode implicar remoção de parte do intestino.

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O diagnóstico de hérnia encarcerada que levou ao internamento do Presidente da República tem origem numa falha na parede abdominal que permite a saída de órgãos internos para o exterior da cavidade abdominal, embora sem perfuração da pele.

Em declarações à Renascença, Rui Costa, cirurgião do Hospital de São João, no Porto, explica que este tipo de hérnia pode evoluir para uma situação grave.

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“Uma hérnia, em termos muito simples, no fundo é um buraco. Um buraco na parede abdominal, neste caso”, descreve o especialista.

O médico adianta que estes “buracos” surgem frequentemente em zonas que foram naturalmente abertas durante o desenvolvimento, como o umbigo ou a região inguinal, mas que podem voltar a abrir devido a vários fatores.

A situação torna-se urgente quando há encarceramento. “O termo encarcerado quer dizer que algum segmento do intestino foi exteriorizado para esse espaço e que está no fundo apertado”, explica Rui Costa.

O risco é a perda de viabilidade da ansa intestinal, ou seja, a parte do intestino que fica presa pode deixar de receber sangue e morrer.

A cirurgia nestes casos pode ser simples, mas não é isenta de riscos. “Qualquer cirurgia acarreta riscos”, alerta o médico, lembrando que se trata de uma operação invasiva e, normalmente, realizada sob anestesia geral.

Nos casos em que o intestino ainda está viável, o procedimento consiste em recolocá-lo na cavidade abdominal e fechar o orifício. Caso contrário, poderá ser necessário remover a parte afetada do intestino e fazer uma ligação entre as zonas saudáveis.

No caso de Marcelo Rebelo de Sousa, ainda não há indicação oficial sobre o tempo de internamento nem previsão de regresso a Lisboa.

Rui Costa sublinha que o tempo de recuperação “depende da extensão da própria cirurgia”. Se for uma intervenção simples, o doente pode retomar a rotina com maior rapidez. Já se houver necessidade de “alguma intervenção em termos intestinais, a recuperação será mais prolongada”.

Mesmo sem conhecer em detalhe o estado clínico do Presidente, o cirurgião antecipa que a recuperação pode ser compatível com as suas funções. “A Presidência da República não implicará muito esforço abdominal, até porque podem ser feitas leituras e procedimentos sem caso, obviamente”, afirma.

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