02 dez, 2025 - 09:56 • Ana Kotowicz
Constança Cunha e Sá morreu esta terça-feira vítima de cancro. A jornalista e comentadora televisiva, de 67 anos, estava há vários meses internada nos cuidados paliativos na instituição Irmãs Hospitaleiras, em Lisboa.
O velório será às 17h30 horas desta quarta-feira, na Basílica da Estrela, com missa celebrada às 20h00. O funeral será no dia seguinte, com nova cerimónia religiosa às 11h00.
Vários políticos lamentaram a morte da jornalista, entre eles o Presidente da República, o primeiro-ministro e o ministro dos Negócios Estrangeiros.
Marcelo Rebelo de Sousa — que continua hospitalizado — recorda Constança Cunha e Sá como "uma figura singular do jornalismo português, cujo percurso profissional e humano deixa uma memória indelével em todos quantos com ela tiveram o privilégio de trabalhar e de privar".
A jornalista, escreve o Presidente, era uma "mulher de grande carácter, inteligência e rigor", que se destacou "pela sua independência de pensamento e por um constante sentido de responsabilidade cívica".
Também Paulo Rangel recorda a inteligência e a ironia da jornalista numa publicação da rede social X. "Constança Cunha e Sá. Inteligente, culta, frontal, com tanta ironia quanto exigência. Nela encarnou o escrúpulo jornalístico. Amava a vida em e com todas as contradições. Humana, demasiado humana para o nosso tempo - o tempo da artificial inteligência. Adeus, Constança."
Já o primeiro-ministro escreveu na mesma rede social que "o jornalismo político português está de luto com a partida precoce de Constança Cunha e Sá".
O diretor-geral da TVI divulgou uma nota de pesar pela morte da jornalista que durante vários anos esteve ligada à estação de Queluz de Baixo. "Constança foi uma voz firme e respeitada do jornalismo português, sempre clara e corajosa na análise", lê-se na nota assinada por José Eduardo Moniz.
Constança Cunha e Sá nasceu em Lisboa em 1958, foi estudante de Filosofia, formada pela Universidade Católica de Lisboa, e na década de 1980 deu os primeiros passos no jornalismo, área onde se tornou um dos nomes mais conhecidos da sua época.
Depois de passar pela revista Sábado, onde iniciou a carreira aos 29 anos, integrou a redação d'O Independente, fundado em 1988. Acabaria por ser diretora do semanário, depois da saída de Paulo Portas da direção. Antes disso, tinha sido diretora adjunta do jornal, onde também assinava uma coluna de opinião.
Antes de trocar a imprensa escrita pela televisão — embora tenha, ao longo dos anos, mantido crónicas de opinião e colaborações em alguns jornais, como no i ou no Público —, passou ainda pelo Diário Económico onde foi redatora principal.
Foi já nos anos 2000 que, na TVI e na TVI24, ganhou maior notoriedade como analista e comentadora política. Chegou à estação como editora de política, foi repórter e mais tarde comentadora. Ainda na TVI24 moderou o programa de debate "A Prova dos 9".
Constança Cunha e Sá foi casada com Vasco Pulido Valente, com Simon Peter Stilwell, de quem teve um filho, Miguel Maria, e era viúva do também jornalista António Ribeiro Ferreira, que morreu em 2022.