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Portugal continua livre da peste suína e não suspende importações de Espanha

03 dez, 2025 - 19:58 • Catarina Magalhães

Apesar de as autoridades espanholas já terem encontrado 50 javalis mortos, Portugal rejeita suspender importações. "É importante que nem todos os países fechem relações comerciais com um dos maiores exportadores de carne suína do mundo", afirmou à Renascença a diretora-geral de Veterinária.

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Ouça aqui a entrevista da diretora-geral da Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), Susana Guedes Pombo.
Ouça aqui a entrevista da diretora-geral da Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), Susana Guedes Pombo. Foto: Reuters

A peste suína africana regressou a Espanha 30 anos depois do último surto, mas "Portugal está livre da doença" e não vai suspender, para já, as importações de carne de porco do país vizinho, disse à Renascença a diretora-geral da Direção Geral de Alimentação e Veterinária (DGAV), Susana Guedes Pombo.

Cerca de 50 javalis foram encontrados mortos pelas autoridades espanholas na serra de Collserola, a 10 quilómetros do centro histórico de Barcelona, e destes já estão confirmados nove com a peste suína, avançou o jornal espanhol "El Mundo".

Uma sandes abandonada com derivados de porco contaminados pode estar na origem deste surto, presumiu esta terça-feira o ministro da Agricultura, Pecuária e Alimentação do governo catalão, Òscar Ordeig.

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O Reino Unido e a China já suspenderam a importação da carne de porco da região sinalizada em Espanha, até estar livre do vírus, mas Portugal descarta a proibição: "É importante que nem todos os países fechem relações comerciais com a Espanha, um dos maiores exportadores de carne suína do mundo", sublinhou a diretora-geral da DGAV,

Susana Pombo promete acompanhar a evolução da doença e como reagem os mercados, mas diz que esta é "uma medida de confiança que qualquer Estado-membro [da União Europeia] deve ter perante uma situação de surto, como por exemplo em Portugal no caso da gripe aviária que estamos a viver".

A DGAV reforça, contudo, que este surto representa "um risco sanitário e económico muito forte para o setor suinícola" e admite não ter certezas se os casos de peste suína não vão ter reflexo nos preços da carne de porco.

"Essas questões são sempre difíceis de responder", disse a diretora-geral, acrescentando que as flutuações no mercado dependem do funcionamento e das respostas do mercado.

O vírus da peste suína não é transmitido a seres humanos, mas é considerado altamente contagioso e mortal entre javalis e suínos. Perante os casos detetados em Espanha, o comércio de animais está suspenso em Cerdanyola del Vallés, zona onde foi registado o foco. A caça foi interrompida temporariamente e criou-se um raio de 20 quilómetros em redor da área infetada.

Apesar da peste suína ser uma doença vírica facilmente transmissível por fómitos – ou seja, pelas bactérias nos sapatos, roupa, mãos e no próprio contacto com os animais –, o ministro espanhol alerta que ainda é muito cedo para tirar conclusões.

O inspetor-chefe da Agência Rural da Catalunha, Josef Antoni Mur, afirmou ao jornal espanhol que está a aguardar instruções da Comissão Europeia e dos técnicos do Ministério da Agricultura, Pescas e Alimentação de Espanha para especificar os métodos de captura e abate dos cerca de mil javalis da região.

"A vigilância de todos é muito importante". Como se deteta o vírus? E como denunciar?

Apesar de o último foco de peste suína em Portugal ter ocorrido em novembro de 1999, "a vigilância tem de permanecer reforçada", com especial atenção a animais doentes ou mortos. "A mensagem é de tranquilidade porque esta doença é conhecida pelos nossos suinicultores, mas é importante que produtores, caçadores e veterinários percebam que a doença está no país vizinho."

Susana Pombo aconselha, por isso, a limpeza e desinfeção dos veículos e explorações suínas. A DGAV está a reforçar a comunicação com os suinicultores portugueses, a Federação Portuguesa de Associação de Suinicultores (FPAS) e associações de caça.

O aumento súbito de temperatura dos animais, hemorragias e abortos inesperados são os principais sinais que denunciam um possível caso de doença, segundo a responsável da DGAV.

Contudo, "é muito importante esta vigilância com a ajuda de todos". A DGAV apela à denúncia livre na plataforma "ANIMAS", criada em colaboração com o Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF).

"Qualquer pessoa pode notificar que visualizou um animal morto, nomeadamente javalis. Recebemos as coordenadas geográficas e podemos ir ao local colher amostras para podermos continuar a confirmar que o país está livre desta doença", conclui a diretora-geral de Veterinária, em declarações à Renascença.

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