04 dez, 2025 - 19:40 • João Maldonado
Pedro Piedade Marques é o autor do livro. “Nunca tinha sido feito nada que reunisse o enorme conjunto de trabalho gráfico do João Abel Manta no período revolucionário, ou seja, entre 25 de abril e 25 de novembro de 1975”.
Sendo o principal período de criação do artista gráfico, o objetivo passa também por esclarecer alguns mal-entendidos, nomeadamente "uma suposta colagem excessiva ao PCP, o que é errado - ele teve amigos íntimos militantes do PCP, era alguém que como toda a gente em 1974 sentia uma espécie de admiração pelo imaginário comunista, mas nunca foi colado a.” Também a ligação a Vasco Gonçalves é abordada com “recurso a documentos do arquivo do artista”.
Quem é João Abel Manta e a forma como produziu desenhos e cartoons durante o período revolucionário são peças centrais nesta obra que garante também um enquadramento histórico da época.
“É muito importante perceber quem eram os agentes nessa altura, daí que o livro inclui um glossário que se decidiu oferecer aos leitores gratuitamente, online, de nomes e de instituições daquele contexto”, explica o autor.
“O título causa, se calhar, comichão em muitas pessoas hoje. É uma expressão que usou num cartoon em que apontava o dedo aos artistas contemporâneos portugueses, pedindo-lhes que parassem o trabalho e fizessem bonecos para o povo”. Bonecos para o povo - João Abel Manta, artista revolucionário - é publicado pela Tinta da China. Esta quinta-feira à tarde foi apresentado na Casa do Comum em Lisboa. Contou com José Carlos Vasconcelos, advogado de Manta no seu período de atividade e antigo diretor do Diário de Notícias.
"Que belos cartoons que ele faria hoje e que necessários seriam, tinham verdadeiramente influência", referiu, lembrando os muitos que acabaram na primeira página do jornal que liderava.
São mais de 370 páginas, repletas de fotografias de João Abel Manta e com inúmeros obras do artista.