04 dez, 2025 - 17:36 • João Maldonado , Anabela Góis
O presidente do Instituto de Apoio à Criança (IAC) admite que a mãe do bebé levado do Hospital de Gaia pode não ter compreendido a diferença entre uma família de acolhimento temporária e uma de adoção definitiva.
Em declarações à Renascença, Manuel Coutinho considera que o caso deverá ser analisado em tribunal, onde se procurará “a medida menos prejudicial” para a criança.
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“A família de acolhimento não é uma família de adoção, é uma família que temporariamente recebe uma criança para lhe proporcionar um ambiente seguro”, explicou Manuel Coutinho, sublinhando a especificidade do caso.
Maternidade
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O responsável acredita que a confusão poderá ter sido motivada pelo estado emocional da mãe: “Quando esta mãe for a tribunal, certamente vão tentar encontrar a medida menos prejudicial, porque é uma situação efetivamente muito especial. Eu admito que uma pessoa, uma mãe em desespero que não tenha percebido bem o que é uma família de acolhimento queira resgatar o seu filho”.
O bebé foi levado do hospital sem que o sistema de segurança tivesse reagido, apesar de lhe ter sido retirada a pulseira de identificação. O presidente do IAC considera que este caso revela fragilidades no sistema de segurança hospitalar.
“Infelizmente não há nenhum sistema seguro a 100%. Depois das coisas acontecerem, já o povo diz, depois de casa assaltada trancas à porta”, afirmou.
Manuel Coutinho defende uma reavaliação dos procedimentos nos hospitais, na sequência deste incidente: “Se calhar agora vão ter de reavaliar todas estas situações e perceber que aquilo que se pensava ser seguro afinal não é, mas acho que o sistema neste momento vai reforçar todas as medidas de proteção às crianças”.
A PSP está a contar com o apoio da GNR para tentar localizar a mulher que levou a bebé de quatro meses do Hospital de Gaia/Espinho, onde estava internada.
Ao que a Renascença apurou, a mulher - mãe da criança - vivia num acampamento na região de Grijó, concelho de Vila Nova de Gaia, que é jurisdição da Guarda.
Fonte da PSP confirma que já teve acesso às imagens de videovigilância do hospital de onde a bebé foi levada ontem, por volta das 15 horas e que estão a ser analisadas.
A criança estava à guarda do Estado e o tribunal tinha decidido entregá-la a uma família de acolhimento quando a mãe a levou, depois de conseguir retirar a pulseira eletrónica sem a danificar, o que impediu o alarme de disparar.