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"Muitas dúvidas" e "impossível". Técnicos de emergência e bombeiros reagem a proposta de refundação do INEM

06 dez, 2025 - 19:36 • André Rodrigues ​André Rodrigues, com redação

Presidente do INEM concorda com a criação de uma central única de atendimento das chamadas de socorro feitas para o 112 e para a Linha SNS 24.

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Os técnicos de emergência pré-hospitalar e os bombeiros têm “muitas dúvidas” sobre algumas propostas da Comissão Técnica Independente para “refundação” do INEM.

O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH) considera que não será possível integrar trabalhadores do INEM nos hospitais ou nas corporações de bombeiros, uma das propostas da Comissão Técnica Independente para a reforma do sistema de emergência médica.

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Questionado pela Renascença sobre uma eventual entrada de técnicos do INEM em hospitais e em associações humanitárias de bombeiros, o presidente do sindicato, Rui Lázaro, diz ter sérias dúvidas quanto a essa possibilidade.

“Temos muitas dúvidas que isso possa ser possível, até porque estamos a falar de empresas de direito público, o INEM, e outras de direito privado. De certo modo, corroboramos o relatório, [mas] em algumas medidas concretas temos algumas preocupações que merecem uma discussão alargada.

Rui Lázaro diz, nestas declarações à Renascença, ter dúvidas também quanto à proposta de uma central única 112/SNS 24.

“Partimos de um pressuposto errado, porque estamos a comparar dois modelos absolutamente diferentes. De um lado, temos um serviço público do INEM, com profissionais em permanência na central. Do outro lado, temos um serviço gerido por um operador privado, que não tem profissionais em permanência, que funciona em regime de disponibilidade e de outsourcing, com os constrangimentos que conhecemos”, sublinha o presidente do STEPH.

Uma proposta “impossível”

O presidente da Liga dos Bombeiros de Portugal (LBP) diz que a integração dos técnicos do INEM nas corporações de bombeiros não é exequível. É a reação à proposta da Comissão Técnica Independente para a refundação Instituto Nacional de Emergência Médica.

Ouvido pela Renascença, António Nunes quer ler com atenção essa proposta da Comissão Independente, mas diz que, tal como está agora, não é possível concretizá-la.

“Não há nenhuma possibilidade de integrar nos corpos de bombeiros pessoal civil, porque os corpos de bombeiros são hierarquizados. Parece-me que pode haver alguma confusão, por isso, vamos aguardar que o Ministério da Saúde nos envie o documento. Sendo certo que, colocada a questão como está, ela é impossível. Agora, é possível ter contratos-programa com o INEM, com o Ministério das Saúde, como fazemos desde 1972.”

Já quanto à proposta de uma central única de atendimento de chamadas para o 112 e para a Linha SNS 24, o presidente da Liga dos Bombeiros diz que não é assim tão fácil.

“A Linha Saúde 24 é feita por uma prestação de serviços privada. As centrais de emergência CODU são feitas através do próprio INEM, com trabalhadores em funções públicas. Para termos uma central única, teríamos que passar a ter ou uma opção de que o Estado não teria um acesso direito ao atendimento telefónico ou, então, incorporar no INEM esse vasto conjunto de prestadores de serviços e passarem a ser trabalhadores do Estado. Tudo isto é bastante complexo de concretizar.”

Presidente do INEM defende triagem comum

O presidente do INEM, Luís Cabral, concorda com a criação de uma central única de atendimento das chamadas de socorro feitas para o 112 e para a Linha SNS 24.

A proposta, divulgada este sábado pelo jornal Público, é da comissão técnica independente encarregue de estudar a chamada "refundação" do INEM.

Em entrevista à SIC, Luís Cabral, que lidera o INEM há cerca de um mês, defende um só atendimento das chamadas.

“O que nós sabemos é que o sistema de triagem deve ser comum. Recebemos cerca de 550 chamadas do SNS nas últimas 24 horas. Não faz sentido que as chamadas estejam em pingue pongue entre as diferentes estruturas de atendimento. O que propomos é que o sistema seja comum, que haja o mesmo sistema de triagem para que as pessoas não andem em pingue pongue de uma central para a outra”, sublinha.

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