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Sinistralidade rodoviária

"Não há diferenças significativas de risco entre conduzir com o telemóvel na mão ou em alta voz"

08 dez, 2025 - 17:34 • José Pedro Frazão

Excesso de velocidade, álcool "ao volante" e distração são as causas principais da sinistralidade rodoviária em Portugal. No programa "Da Capa à Contracapa", especialistas da Prevenção Rodoviária Portuguesa e do Instituto Superior Técnico alertam para o peso da utilização do telemóvel durante a condução, incluindo através dos sistemas "mãos livres".

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O excesso de velocidade permanece a principal causa de sinistralidade rodoviária, mas há dois fatores cada vez com mais impacto direto nas estatísticas negras das estradas. O álcool deixa a sua marca e não apenas ao volante, alerta a Prevenção Rodoviária Portuguesa. "Tem impacto na segurança rodoviária, quando os passageiros, especialmente com os mais jovens, estiverem sob influência do álcool", alerta Rosa Pita, vice-presidente desta instituição, que salienta ainda a importância dos fatores de distração para condutor.

Os estudos da Prevenção Rodoviária Portuguesa estimam que o uso do telemóvel aumenta quatro vezes o risco de ter um acidente, que sobe 23 vezes se o condutor enviar ou ler mensagens ou e-mails durante alguns segundos enquanto conduz.

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"Receber ou fazer uma chamada é muito diferente de enviar ou ler uma mensagem. O tempo que demora a ler a mensagem são dois a três segundos, como se estivesse a conduzir com os olhos tapados. Uma das características do uso do telemóvel ao volante é o desrespeito da regra de cedência de passagem, porque está preocupado com a conversa. A distração cognitiva é aquela que mais distrai o condutor", complementa Rosa Pita no programa "Da Capa à Contracapa" da Renascença, em parceria com a Fundação Francisco Manuel dos Santos.

A generalização do sistema de "mãos livres" para atender chamadas enquanto se conduz não descansa os especialistas. "Em termos de risco rodoviário não há diferenças significativas entre falar com o telemóvel na mão ou com o telemóvel em 'mãos livres", insiste a vice-presidente da Prevenção Rodoviária Portuguesa. Já João Pereira Dias, do Instituto Superior Técnico, diz que mesmo que há estudos que concluem que a utilização de sistemas de mãos livres pode até ser mais perigosa para a segurança rodoviária.

"A razão é muito simples. As chamadas tendem a ser mais longas e a frequência das chamadas tende a ser maior, ou seja, a pessoa faz mais chamadas que ocupam o cérebro durante mais tempo", explica este investigador do Instituto Superior Técnico. Acrescem ainda mais fatores que agravam a perigosidade deste sistema, na análise destes especialistas ouvidos pelo "Da Capa à Contracapa".

"A exigência da conversa também pode ser maior. O condutor deixa de ir preocupado o que se passa à sua volta e vai concentrado na conversa que está a ter ao telemóvel. E depende a exigência da conversa também. Se estiver a dizer 'chego mais tarde', não tem impacto muito grande. Agora, se estiver a decidir alguma coisa que tem que analisar e decidir, a exigência cognitiva é muito maior", remata Rosa Pita, da Prevenção Rodoviária Portuguesa.

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