10 dez, 2025 - 07:01 • Cristina Nascimento
Portugal está atrasado na verificação da idade dos utilizadores de plataformas digitais. É o que garante o especialista Iain Corby, diretor executivo Age Verification Providers Association, associação britânica que reúne empresas que desenvolvem este tipo de tecnologia.
Este especialista, que esteve recentemente em Lisboa para participar numa conferência sobre idade e confiança online promovida pelo projeto Agarrados à Net, ficou “chocado” com os relatos que ouviu sobre a realidade portuguesa.
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“As más notícias é que Portugal está em último, estão atrasados. Muitos outros países já estão noutro patamar na proteção de crianças online. Fiquei chocado ao saber que as vossas crianças podem até fazer apostas online”, disse na conferência.
Internet
“Proibir completamente e de forma indiscriminada” (...)
O britânico deixa, ainda assim, uma nota de esperança, considerando que o atraso de Portugal pode representar “uma vantagem” e que o país pode “aprender com os erros dos outros” e resolver “rapidamente este problema”.
Na conferência foram apresentadas algumas soluções que permitem fazer uma verificação da idade que não compromete a privacidade dos dados pessoais. Iain Corby deu a conhecer uma que tem sido testada com fiabilidade.
“Basta mover os dedos em frente à câmara e, baseado em ciência médica, é possível determinar com razoável exatidão se a pessoa tem mais ou menos de 18 anos”, explicou.
Austrália
Noah Jones e Macy Neyland, apoiados pelo grupo ati(...)
O especialista admite que, quando tomou conhecimento da tecnologia ficou surpreendido e “não tinha a certeza se resultava”. No entanto, assegura que fizeram “muitos testes na Austrália com estas técnicas, financiados pelo Governo australiano, e estão agora a ser robustamente testados por milhares de miúdos, temos dados estatísticos e sabemos que a tecnologia resulta”.
Precisamente na Austrália entra em vigor esta quarta-feira a proibição de acesso de menores de 16 anos a redes sociais, uma solução com a qual o especialista a título pessoal não concorda, mas, diz, é acima de tudo uma questão política.
Apesar de não concordar com a proibição total, Iain Corby antevê que “daqui a 10 anos vamos olhar com algum horror para o que temos permitido que as nossas crianças façam online”.