11 dez, 2025 - 15:40 • Olímpia Mairos
A greve geral convocada para esta quinta-feira está a registar uma fraca adesão no que toca ao setor privado, em vários pontos do país, com muitos trabalhadores a optar por manter a rotina habitual. Em Chaves, por exemplo, o dia decorre com normalidade em diversos setores, do comércio à construção civil.
Marcelo Nobre, 32 anos, trabalha numa padaria e pastelaria e também faz distribuição. Garante que não aderiu à greve por desconhecer as reivindicações.
“Não aderi porque, simplesmente, não sei o que é que estão a reivindicar. Não costumo ver televisão. E depois, tenho de trabalhar, se não trabalhar estou feito ao bife, como se costuma dizer”, afirma.
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Marcelo diz estar satisfeito com as condições de trabalho e não sentir necessidade de protestar.
“Neste momento com o meu trabalho, sim, não tenho queixas nenhumas, nem dos patrões. Escutei qualquer coisa sobre alterações à lei laboral, mas comigo não vão interferir em nada”, acrescenta.
No Café Sport, bem no centro de Chaves, a normalidade também impera. Fátima Santos, 59 anos, trabalha no local há cerca de quatro décadas e não aderiu à greve.
“Nunca fui habituada a estas coisas, fazer greve e assim, não concordo. Não estou preocupada com isso”, afirma.
No comércio local, o cenário repete-se. Fátima Pinto, 35 anos, considera a paralisação “injustificada” neste momento.
“Não se percebe, não tem jeito nenhum numa altura em que as negociações não terminaram estar a prejudicar o país com esta paralisação”, diz à Renascença.
Também no setor da construção civil não se verifica adesão à greve. Ao longo do dia, a Renascença percorreu várias obras em curso na cidade de Chaves, onde encontrou os trabalhadores a cumprir o horário normal, sem qualquer sinal de paralisação.
Nas construções visitadas, o ritmo manteve-se inalterado. Mário Silva, pedreiro, continuava esta manhã a assentar blocos na reconstrução de uma habitação.
“Se fizesse greve não ganhava o dia e o dinheiro faz-me falta. Além disso, também acho que isto não vai dar em nada”, comenta o trabalhador, que diz compreender os motivos da contestação, mas prefere “não arriscar perder rendimento”.