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Ambiente

Acordo de Paris faz 10 anos: ZERO alerta que ação climática é oportunidade económica, não um custo

12 dez, 2025 - 13:19 • Olímpia Mairos

Associação ambientalista pede mais ambição à União Europeia e defende que a próxima década será decisiva para o clima.

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O Acordo de Paris cumpre esta quinta-feira, 12 de dezembro, dez anos desde a sua assinatura. Para a associação ambientalista ZERO, o balanço é positivo, mas “ainda insuficiente”, e a ação climática deve ser encarada “não como um custo, mas como uma oportunidade económica geradora de bem-estar social”.

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A ZERO considera que o Acordo de Paris foi “um ponto de viragem crucial” na luta global contra as alterações climáticas, ao devolver “ambição e urgência” à agenda ambiental, num momento em que o Protocolo de Quioto “perdera eficácia”.

“Pela primeira vez, todos os países passaram a ter obrigações de ação climática e foi estabelecida uma meta clara: limitar o aquecimento global bem abaixo dos 2°C, procurando não ultrapassar 1,5°C”, recorda a associação.

Progressos visíveis, mas ritmo ainda insuficiente

Dez anos depois, a associação ambientalista reconhece que o Acordo de Paris impulsionou avanços concretos — desde a expansão das energias renováveis à mobilidade elétrica.

A produção global de eletricidade renovável passou de 5.500 TWh em 2015 para mais de 9.800 TWh em 2024. Também as vendas de veículos a combustão diminuíram, passando de 76 para 62 milhões por ano, impulsionadas pelo crescimento dos elétricos.

A associação destaca ainda sinais positivos na China, onde as emissões estabilizaram ou caem há 18 meses, e na Índia, que já obtém 44% da sua energia de fontes não fósseis.

Mas o panorama não é uniforme. A ZERO fala em “paralisia na Europa” e “retrocesso nos Estados Unidos”, defendendo que a União Europeia “deve dar o exemplo e não recuar nas metas climáticas”, como a proibição dos motores de combustão em 2035 e a redução de 90% das emissões até 2040.

Acordo de Paris ganha peso jurídico

A ZERO sublinha também a importância da opinião consultiva do Tribunal Internacional de Justiça, emitida em julho de 2025, que reforça o caráter vinculativo do Acordo de Paris.

O tribunal considerou que o Acordo faz parte do “direito aplicável” para avaliar as obrigações dos Estados, o que, segundo a associação, “aumenta o escrutínio jurídico e político” sobre a ambição climática dos países.

A próxima década será decisiva

Para a ZERO, a principal lição destes dez anos é clara: a ação climática gera resultados reais e deve ser vista como “uma oportunidade de desenvolvimento, inovação e bem-estar social”.

A associação alerta, no entanto, para a necessidade de revitalizar o movimento climático global, que perdeu força após a pandemia.

“Mais do que nunca, é vital reacender o associativismo cívico e transformar compromissos em resultados concretos para o clima”, defende a ZERO.

A organização conclui que o futuro dependerá de cidadãos informados e de uma ação local coordenada, capaz de tornar a próxima década decisiva para o clima e para o bem-estar das gerações futuras.

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