14 dez, 2025 - 20:55 • João Cunha , Daniela Espírito Santo
A Federação Nacional dos Médicos (FNAM) deixou, este domingo, um alerta: os concursos para médicos especialistas recém-formados estão mais uma vez atrasados. O concurso devia ter sido lançado pelo Governo há dois dias mas, como tal não aconteceu, há cerca de 250 médicos em "suspenso", à espera desse concurso.
Muitos, no entanto, talvez não esperem e abandonem mesmo o país, avisa Joana Bordalo e Sá, presidente da FNAM, para quem esta situação é "inaceitável", especialmente numa altura de sobrecarga no Serviço Nacional de Saúde.
À Renascença, Joana Bordalo e Sá deixa críticas ao Executivo e reitera que "tem havido atraso recorrente na contratação de especialistas", o que também "expõe a falência da governação". "Cerca de 250 médicos especialistas recentemente formados terminaram o internato médico em outubro. Estamos a meio de dezembro e ainda não estão colocados", lamenta Bordalo e Sá, que acredita que os mesmos poderiam ajudar a prevenir, por exemplo, o encerramento de urgências ou partos em ambulâncias.
"Já nasceram 75 bebés em ambulâncias desde o início do ano... ou na rua ou na berma da estrada. E os tempos de espera nas urgências têm frequentemente ultrapassado as 17 horas em alguns hospitais e ainda nem sequer entramos no inverno", salienta.
"Estamos a falar de medicos de especialidades que são muito críticas para o SNS", adianta a responsável, que os enumera: "mais de 50 médicos de Medicina Geral e Familiar, mais de 30 médicos de Medicina Interna, 16 médicos de Obstetrícia, 12 médicos de Psiquiatria e 11 médicos de Pediatria", número que, de resto, são espelhados num comunicado que foi enviado pela federação às redações, este domingo.
No comunicado, e após denúncia similar do Sindicato Independente dos Médicos este sábado, a FNAM assegura que estes sucessivos atrasos têm "consequências diretas na segurança dos doentes e no aceso aos cuidados de saúde".
Para Joana Bordalo e Sá e para a FNAM, este atraso "não tem qualquer justificação técnica ou administrativa". "Isto é uma falha grave de planeamento, de gestão, e tem de haver aqui uma responsabilidade política", defende, em entrevista à Renascença, nomeando Ana Paula Martins, que tutela o Ministério da Saúde.
"Estes atrasos fazem com que médicos altamente qualificados, que foram formados com investimento público, acabam por ser desperdiçados, porque alguns deles, pura e simplesmente, vão-se embora, para o estrangeiro ou para os privados", lamenta a responsável, que encara tal situação como um "sinal devastador".
"O sinal que está a ser dado pelo Governo de Montenegro é devastador. Formam os médicos, não abrem as vagas para a sua contratação nos quadros numa altura de escassez enorme e, como tal, o que acontece é a saída para o setor privado ou para o estrangeiro, o que agrava deliberadamente o Serviço Nacional de Saúde, fragilizando-o ainda mais", repete, exigindo mesmo que sejam abertas todas as vagas e que a ministra da Saúde tem "mesmo de assumir responsabilidade política", porque "estes atrasos são inaceitáveis".