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Reportagem

"Nascemos os dois aqui, temos todo o conhecimento desta zona". Em Caminha, ninguém percebe como terá ocorrido o naufrágio

15 dez, 2025 - 17:06 • Isabel Pacheco , Catarina Santos

Continuam as buscas por três pescadores, de nacionalidade indonésia, desaparecidos no mar há mais de 24 horas. "Tudo o que pode ser acionado está a ser acionado", garantiu o secretário de Estado Salvador Malheiro, que visitou esta tarde o local.

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"Temos o conhecimento desta zona". Em Caminha, ninguém percebe como terá ocorrido o naufrágio
Ouça a peça da jornalista Isabel Pacheco.

Em Caminha, continuam as buscas por três pescadores de nacionalidade indonésia, desaparecidos no mar há mais de 24 horas.

Entre a comunidade piscatória, ainda ninguém percebeu como terá ocorrido o naufrágio ao largo de Caminha.

"Nascemos os dois aqui na zona ribeirinha, temos todo o conhecimento desta zona", desabafa Rui Castro, irmão do mestre da embarcação que naufragou este domingo e também presidente da Associação de Pescadores de Caminha.

"Ali é uma zona de muitas correntes, aconteceu o acidente na preia-mar... Portanto não há grande explicação, só ele é que poderá dizer, quando se encontrar bem."

Os três pescadores desaparecidos têm idades compreendidas entre os 28 e os 31 anos. O mestre da embarcação "está a fazer exames e, em princípio, ainda hoje deve sair do hospital", adianta o irmão. Um outro homem, também resgatado, apresenta prognóstico reservado.

O secretário de Estado das Pescas e do Mar reuniu-se esta tarde com o comandante de operações e garantiu que tudo esta a ser feito para encontrar os três homens, após o naufrágio que continua sem explicação.

"As operações de busca estão a acontecer. Não é por falta de meios, pelo pequeno briefing que tive até agora, tudo o que pode ser acionado está a ser acionado", garantiu Salvador Malheiro. "O tempo, como podem constatar, não é o melhor, mas vamos aguardar. Este é o momento de estarmos juntos, de prestarmos a nossa solidariedade máxima. Tudo o resto depois vamos averiguar", assegurou, nomeadamente "em que condições é que embarcação estava a operar".

"Principal preocupação é resgatar os corpos"

Um golpe de mar poderá ter estado na origem do naufrágio, mas João Delgado, responsável pela cooperativa Mútua dos Pescadores, sublinha que ainda é "muito prematuro" tirar conclusões. "Vamos tentar esperar para que o mestre estabilize devidamente e que recupere, para depois termos uma conversa calma. Só ele pode identificar aquilo que se passou."

As operações decorrem por mar e por terra e vão contaram esta tarde com o reforço de um meio aéreo espanhol, apesar de o estado do tempo continuar a dificultar os trabalhos.

Com os pés na areia e os olhos postos no mar, João Delgado veio da Nazaré para acompanhar as buscas. "A nossa principal preocupação nesta fase é resgatar os corpos, porque sabemos que, à medida que o tempo passa, dificilmente se encontrarão com vida", admite o responsável pela cooperativa Mútua dos Pescadores. "Mas pelo menos vamos tentar fazer regressar os corpos à sua comunidade de origem."

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