16 dez, 2025 - 01:05 • Marisa Gonçalves , Olímpia Mairos
A Associação Sindical dos Profissionais do Corpo da Guarda Prisional (ASPCGP) marcou para hoje o início de uma greve de quatro dias, com o objetivo de reivindicar maior investimento na carreira. O sindicato acusa o Governo de falta de visão estratégica por parte da tutela e manifesta descontentamento com o acordo recentemente celebrado.
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Entre as principais reivindicações estão mudanças nas regras de acesso à carreira, nomeadamente a revisão dos limites etários. A idade mínima de ingresso passaria dos atuais 21 para os 18 anos, enquanto a idade máxima aumentaria de 28 para 35 anos, alinhando estas condições com as já em vigor na Polícia de Segurança Pública (PSP).
O Sindicato Nacional do Corpo da Guarda Prisional manifesta preocupação com o aumento dos pedidos de ajuda recebidos pela linha de apoio psicológico criada para estes profissionais.
Em declarações à Renascença, o presidente do sindicato, Frederico Morais, aponta números que considera alarmantes.
“Num universo de quase 4.000 guardas, 123 estão a ser acompanhados pela linha. Por norma, acompanhamos uma média de 20 por mês, o que é muito preocupante porque demonstra a pressão psicológica que o corpo da guarda prisional tem, o excesso de carga de trabalho, o excesso de atividades que os reclusos mantêm. Para além das medidas que a ministra [da Administração Interna] anunciou, mas nós não vimos praticamente nada no terreno. Além disso, estamos numa época difícil, que é a época do Natal, em que as pessoas estão mais débeis no seu estado emocional. Então, a procura da linha é enorme, mesmo”, revela.
O sindicalista especifica, em particular, o excesso de trabalho associado à manutenção de atividades artísticas e culturais na comunidade prisional.
“Defendo que devíamos ser tratados com mais humanismo e não só como uma profissão que tem de fazer tudo o que os reclusos querem, porque é basicamente isso. Há muitas atividades que continuamos a ter, como yoga, ballet, canto, e continuamos a ter tudo e mais alguma coisa, quando devíamos ter cortado essas atividades devido à falta de guardas. Ou seja, a pressão é enorme para que tudo aconteça”, declara.
Frederico Morais afirma que, no ano passado, foram enviados relatórios para os grupos parlamentares, para o Governo e para as ordens dos Médicos e dos Psicólogos, dando conta do trabalho desenvolvido pela linha de apoio.
Segundo o responsável, apenas as ordens profissionais da saúde pública responderam, lamentando a ausência de reacção por parte do Executivo.
“Nós temos aqui um problema muito grave porque o facto de o Governo admitir que temos que ter ajuda psicológica significa admitir que há uma falha estrutural nos serviços. É óbvio que não se quer admitir. Repare-se que é difícil ouvir falar na comunicação social sobre o suicídio das forças de segurança. Felizmente, no corpo da Guarda Prisional, nos últimos dois anos, não houve nenhum caso. Desde que eu faço parte das ações do sindicato, tivemos quatro suicídios, mas felizmente, nos últimos dois anos, não houve nenhum porque a linha trabalha. Se não tivéssemos a linha a funcionar, não tenho qualquer dúvida de que estaríamos a falar de mais números”, refere.
A linha de apoio psicológico ao guarda prisional foi criada há cerca de três anos e meio, pelo próprio sindicato. É financiada pelo contributo dos sócios e conta atualmente com quatro psicólogos em funções.