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Portugueses estão a ir menos ao médico

16 dez, 2025 - 22:26 • Anabela Góis

Dados do Estudo Nacional de Saúde - Estado de Saúde Geral da População Portuguesa. 27,6% dos inquiridos dizem que não vão tantas vezes ao médico devido a dificuldades de acesso.

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Os portugueses estão a ir menos ao médico. Só 14 em cada 100 vão a consultas regulares e quase um quinto só faz exames a cada dois ou três anos.

A segunda edição do Estudo Nacional de Saúde - Estado de Saúde Geral da População Portuguesa, desenvolvido pela Marktest para a Medicare, mostra que, este ano, apenas 14,8% da população entre os 18 e os 64 anos consultou um médico com regularidade inferior a seis meses, uma queda face aos 19,1% do último período analisado.

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De acordo com este estudo, 27,6% dos inquiridos dizem que não vão tantas vezes ao médico devido a dificuldades de acesso – como marcações, filas de espera ou indisponibilidade –, mas a maioria (66,8%) diz não sentir necessidade de o fazer.

Filipe Pinto, médico e professor convidado da Faculdade de Medicina do Porto, considera que todas estas pessoas estão a desvalorizar a prevenção. “É essencial ter um plano de manutenção de saúde que inclua rastreios, seja visuais, dentários ou oncológicos”, uma vez que “reduzir as idas ao médico pode colocar-nos em maior risco de desenvolver doenças graves”.

A diabetes, o excesso de colesterol, de triglicerídeos e a própria hipertensão – diz o especialista em Avaliação de Políticas de Saúde – “são fatores de risco assintomáticos que (se não forem tratados) vão criando condições para desenvolver uma situação muito mais grave, como é o caso enfarte do miocárdio ou AVC”.

Mais de metade não foi ao dentista

O estudo indica que mesmo os portugueses que têm consultas com regularidade vão, sobretudo, ao médico de Medicina Geral e Familiar.

Quase 60% dos inquiridos não tiveram qualquer consulta de saúde oral no último ano. E como esta, diz Filipe Pinto, há outras áreas críticas para a manutenção da saúde que são ignoradas, como é o caso da psicologia, psiquiatria, nutrição ou fisioterapia.

A toma de suplementos alimentares é um hábito regular para dois em cada dez indivíduos (22,1%) o que em si não é mau, na opinião de Filipe Silva.

O problema é que “entre as pessoas que os consomem há muito foco nos multivitamínicos, quando a evidência não mostra que tragam grande benefício para a saúde de um adulto saudável”.

Já “os suplementos para a saúde osteoarticular ou para a preservação neuronal, como é o caso dos ácidos gordos, que são muito recomendados, a partir dos 65 anos em Portugal não são muito usados, ao contrário do que acontece noutros países da Europa”.

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