17 dez, 2025 - 08:00 • João Malheiro
Falta cerca de uma semana para o Natal, uma altura festiva em que muitas pessoas aproveitam para combinar encontros entre amigos e família. No entanto, é também uma altura em que os hospitais portugueses estão sob forte pressão por causa da gripe sazonal e outras doenças respiratórias.
A chegada antecipada da gripe está a obrigar várias unidades locais de saúde a ativar planos de contingência. Houve um aumento de infeções respiratórias graves em todo o país, com maior incidência nos maiores de 65 anos.
A procura das urgências hospitalares, do SNS 24 e do INEM aumentou entre 1 e 7 de dezembro, impulsionada pelo aumento de casos de gripe e infeções respiratórias, que atingiram níveis superiores aos de épocas anteriores, segundo a DGS.
À Renascença, o imunologista Miguel Prudêncio sublinha que é "importante que as pessoas tenham os cuidados necessários para não transmitir um vírus respiratório a pessoas mais frágeis, quer pela idade, quer por outras condições clínicas que possam ter".
E quais são os cuidados a ter? Exatamente aqueles que tivemos de aprender, durante o tempo da pandemia da Covid-19: "Utilização de máscara e acautelar algum distanciamento, sobretudo se estivermos com sintomas como tosse ou espirros", explica o especialista.
"É particularmente relevante se estivermos a falar de pessoas fragilizadas. Todos devemos ter essa precaução nestes contactos da época festiva e adotar comportamentos que minimizem o risco", reitera.
Outro fator que aponta que Portugal vive um período mais sensível na Saúde é o aumento da mortalidade. Houve mais mortes do que o habitual na primeira semana de dezembro na região Norte do país em pessoas entre os 75 e os 84 anos.
O presidente da Associação Nacional de Médicos de Saúde Pública indica, à Renascença, que a população mais envelhecida, o período antecipado de gripe e o frio são tudo fatores de risco a ter em conta, com o aumento destes dados. Não obstante, "nesta altura do campeonato é precoce estar a atribuir causalidades lineares".
"É natural que, associado a este excesso de mortalidade de final de ano, surja uma fase compensatória, pós-época gripal, de menor mortalidade. As contas, depois, serão feitas, numa análise mais cuidadosa de eventuais causalidades", refere.
Bernardo Gomes reforça, mesmo assim, o apelo a um maior cuidado durante a época natalícia, até porque há "uma menor memória imunitária coletiva", perante a nova estirpe de gripe que circula por Portugal.
Para lá das medidas de prevenção já referidas, este especialista pede cuidados com a ventilação, porque "espaços mais fechados são os mais infetados". E, claro, a vacinação é outra ferramenta fundamental para garantir que, mesmo em caso de contágio, o sistema imunitário tem a capacidade para dar resposta à infeção.
"É um pensamento estruturado que deve ser de sempre, não só agora para o Natal", acrescenta.