Eletricidade
"Não há nada que possa evitar" um novo apagão, admite REN
17 dez, 2025 - 13:55 • Lusa
Presidente executivo da companhia defende o foco na recuperação rápida perante riscos técnicos, climáticos ou de cibersegurança.
A Redes Energéticas Nacionais (REN) afirmou esta quarta-feira que não é possível garantir que não vão ocorrer novos apagões e defendeu que a prioridade do sistema elétrico deve ser a capacidade de recuperação rápida perante riscos técnicos, climáticos ou de cibersegurança.
Na audição na Comissão de Ambiente e Energia, no âmbito do Grupo de Trabalho sobre o apagão de 28 de abril 2025, o presidente executivo da REN, Rodrigo Costa, afirmou que o operador das redes nacionais faz "tudo para evitar" estes eventos, mas sublinhou que "não há nada que possa evitar" que voltem a acontecer.
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"O nosso serviço é um dos melhores da Europa e as coisas estão bem, mas estamos sujeitos a acidentes, estamos sujeitos à cibersegurança e estamos sujeitos a desastres naturais", afirmou. "A única coisa que há a fazer é estar bem preparados para recuperar" em caso de novo apagão.
Rodrigo Costa defendeu que essa preparação não pode estar limitada ao operador da rede de transporte, devendo envolver "o exército, a polícia, todos os serviços críticos e os operadores de telecomunicações".
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Em Portugal, a produção renovável representava cerca de 62% do consumo, enquanto em Espanha atingia 92%, com forte peso da energia solar.
Segundo a REN, o sudoeste espanhol concentrava uma produção muito elevada – cerca de 16.000 megawatts de solar e eólica – para um consumo reduzido, com grande parte da energia a ser exportada para outras zonas de Espanha e para Portugal.
Segundo João Conceição, Portugal e Espanha cumpriam os níveis mínimos de inércia exigidos pela Rede Europeia de Gestores de Redes de Transporte de Eletricidade (ENTSO-E), mas o sistema espanhol não estava a responder adequadamente no controlo da tensão, um dos fatores que esteve na origem do colapso.
"A causa principal que está identificada é um problema de muito alta tensão, que se inicia claramente no sistema espanhol e que se propaga para o sistema português", afirmou.
Às 11h33, a perda súbita de cerca de 2.200 megawatts de produção solar no sudoeste de Espanha desencadeou um desequilíbrio em cascata que levou, em cerca de quatro segundos, ao colapso total dos sistemas espanhol e português.
Nesse intervalo, os planos de emergência do Sistema Elétrico Nacional atuaram e a REN desligou faseadamente cerca de 4.200 megawatts de consumo, começando pela bombagem hídrica e avançando para consumos progressivamente mais críticos.
O apagão de 28 de abril foi classificado pela Rede Europeia de Gestores de Redes de Transporte de Eletricidade (ENTSO-E, na sigla em inglês) como "excecional e grave", tendo tido entre consequências imediatas o encerramento de aeroportos, congestionamento nos transportes e falta de combustíveis.
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