Segurança
"Inadmissível." Polícias foram impedidos de participar em plenário
18 dez, 2025 - 13:19 • João Cunha
Os polícias que cumprem serviço no Aeroporto de Lisboa, no controle de fronteiras, quiseram abandonar os postos de controle de entradas para participar em plenário. Terão sofrido ameaças de chefias intermédias.
Os agentes da PSP que estavam, esta quinta-feira de manhã, no controlo de passageiros no Aeroporto de Lisboa, quiseram abandonar os seus postos de trabalho para participar num plenário da ASPP, a Associação Sindical de Profissionais de Polícia, mas terão sido ameaçados por chefias intermédias com processos disciplinares, caso o fizessem. Para Paulo Santos, presidente da ASPP, a situação não é admissível.
"É totalmente inadmissível concentrarmos o efetivo policial aqui do aeroporto num plenário, devidamente comunicado, e existirem pressões da cadeia de comando e ameaças de processos disciplinares para quem quisesse fazer parte desta luta. É totalmente deplorável que ainda hoje haja este tipo de comportamentos", referiu Paulo Santos, que acrescentou que receberam informação de que, se acabassem o plenário mais cedo, "estes profissionais teriam um suplemento de 250 euros".
"É um tipo de expediente que, de alguma forma, tenta condicionar aquilo que é a luta coletiva dos profissionais", argumenta.
A ASPP promoveu o plenário de protesto desta quinta-feira de manhã no Aeroporto de Lisboa devido à ausência de resposta do Governo face aos problemas dos polícias que estão nas fronteiras aéreas e para criticar o executivo, que acusam de não cumprir o acordo assinado o ano passado.
Paulo Santos indica que o protesto é organizado "face à ausência de progressos, à desvalorização manifesta dos profissionais da PSP, nomeadamente no que concerne ao acordo celebrado em julho de 2024, e à persistência das deficiências nas divisões de segurança aérea".
Segundo a ASPP, o fim do SEF e a criação da Unidade Nacional de Estrangeiros e Fronteiras "perpetuaram as deficiências existentes, evidenciando uma estratégia governativa de implementação de uma polícia 'low cost' e a contínua desvalorização dos profissionais".
Para tentar colmatar as tais "deficiências", pelo menos as humanas, que estão na origem de elevados tempos de espera para quem chega fora do espaço Schengen e pretende entrar em Portugal, a ministra da Administração Interna anunciou ontem um reforço de 80 polícias da PSP para os próximos 15 dias.
"Isso também será só para a época natalícia, porque depois os problemas continuarão como todos os dias continuarão", sublinha o dirigente da ASPP, questionando em que condições estes polícias vão ser colocados no Aeroporto de Lisboa.
Paulo Santos garante que "não há espaço, nem boxes, suficientes, uma vez que o problema do Aeroporto de Lisboa é de gestão do espaço". E aqui, aponta o dedo à ANA — Aeroportos.
"Há aqui uma pressão. Quantos mais aviões aterrarem ou levantarem, quantos mais passageiros aterrarem, mais negócio se faz. Conhecem o acordo que foi feito entre a ANA — Aeroporto e o Governo português no que diz respeito à redução do tempo de entrada de passageiros no nosso país", questiona o presidente da ASPP.
"É que está lá uma cláusula que diz que caso isto corra mal, terão de indemnizar a ANA — Aeroportos. Ou seja, caso corra bem, há liquidez e há aumento de lucro, caso corra mal, o Estado tem que cumprir o acordado e pagar uma indemnização para beneficiar a ANA".
Mas para que os passageiros sejam devidamente "controlados", é preciso mais. "É preciso que haja um espaço necessário no aeroporto e os polícias necessários para que isso aconteça", diz o sindicalista.
Regime atual também compromete "segurança nacional"
Depois de concluído o plenário, o presidente da associação sindical lembrou que o atual Governo acusou o anterior de ter "portas escancaradas" à imigração.
E agora, "estamos num regime e num procedimento que também compromete a segurança nacional". Por isso, defende, "tem de haver algum rigor e cumprimento escrupuloso daquilo que são as regras de fiscalização para entradas e saídas do nosso país e, neste momento, como não há espaço para trabalharmos, não há efetivo que cubra todas as necessidades".
Antes de terminar a concentração, junto á estação de metropolitano do aeroporto, Paulo Santos deixou uma certeza: "Aquilo que nós resumimos neste plenário, uma vez mais, é que não vamos parar."
Assim, prometem mais protestos em janeiro, contra o Governo, até que este os oiça. "Enquanto o Governo não ceder àquilo que nós temos dito e estamos disponíveis para negociar tudo e mais alguma coisa, com seriedade e com responsabilidade, nós não vamos parar. Há colegas disponíveis para dar passos mais contundentes e nós estamos disponíveis para isso."
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