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Guerra no Médio Oriente

Comunidade israelita apela à criação de canal de denúncias de antissemitismo

19 dez, 2025 - 01:18 • Marisa Gonçalves

Esta quinta-feira, em Lisboa, acendeu-se a quinta vela da festa judaica do Hanukkah, também conhecida como "festa das luzes", numa cerimónia que já se realiza há 15 anos em espaços públicos e que serviu também para homenagear as vítimas do ataque em Sydney.

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O presidente da Comunidade Israelita de Lisboa (CIL), David Botelho, manifesta-se disponível para, em conjunto com o Governo, ajudar na criação de um canal de denúncia de atos antissemitas, a nível nacional, no âmbito da estratégia europeia de combate ao antissemitismo e de promoção da comunidade judaica.

David Botelho, não especifica números, mas diz que a página na internet da comunidade israelita tem recebido "algumas denúncias".

“Existem algumas denúncias que chegam através do nosso site. Vamos recebendo posts de Facebook, de Instagram, e vêem-se sinais e discursos de antissemitismo e de ódio. Mas, como a sociedade não está alertada para os sinais discretos, ninguém está alertado. Por isso, nós também queremos ajudar na educação das forças de segurança nas escolas, sobre aquilo que é discurso de ódio, antissemita, e sobre as formas de combater o antissemitismo”, declara.

David Botelho dá um exemplo concreto que aconteceu em Lisboa. “Existe um monumento no Largo de São Domingos a uma chacina de judeus que aconteceu há cerca de 500 anos e onde foram feitos grafites com algumas frases usadas pelos nazis. Isto é verdadeiramente preocupante, o facto de as pessoas sentirem-se à vontade, na praça pública, para andar a escrever coisas antissemitas”, aponta.

O Presidente da CIL sublinha que “antissionismo e antissemitismo são manifestações inaceitáveis de intolerância e de ódio que convocam a um combate urgente e empenhado ao nível global".

David Botelho falava os jornalistas, em Lisboa, numa cerimónia de homenagem às vítimas do ataque em Sydney, na Austrália, no passado domingo, quando decorria a comemoração do primeiro dia do festival judaico Hanukkah.

Na mesma cerimónia, o embaixador de Israel em Portugal, Oren Rozenblat, condenou todas as formas de antissemitismo e desafiou os governos a combaterem os ataques contra o povo judeu.

“O nosso coração está com as famílias das vítimas e com toda a comunidade judaica da Austrália. Nós, os judeus, sentimos a onda do antissemitismo na Austrália, mas também na Europa e também aqui em Portugal. Os governos precisam de lidar com esta onda de antissemitismo”, apelou.

O embaixador israelita reafirmou ainda a luta de Israel contra o movimento palestiniano Hamas e garantiu todos os esforços para recuperar um dos reféns com ligações a Portugal.

“Também Ran Gvili vai voltar para nós. Outro objetivo é desmilitarizar o Hamas. Temos o apoio de muitos países, incluindo Estados Unidos, mas também países que são amigos do Hamas, como Turquia e Qatar”, alegou.

O jovem polícia Ran Gvili, com passaporte português, foi um dos 251 reféns capturados e levados para Gaza pelo Hamas no ataque de 7 de outubro de 2023. As autoridades israelitas dizem acreditar que Ran Gvili está morto, mas seu corpo não foi recuperado.

Esta quinta-feira, a CIL acendeu a quinta vela da festa judaica do Hanukkah (Chanuká, em português, também conhecida como "festa das luzes"), no alto do Parque Eduardo VII, numa cerimónia que já se realiza há 15 anos em espaços públicos em Lisboa.

O ministro da Presidência, António Leitão Amaro, também marcou presença e garantiu que em Portugal não há espaço para a intolerância.

“Não há lugar na comunidade e na sociedade portuguesa, na nossa comunidade política, para o anti. Há quem o cultive e nós precisamos destes momentos para sinalizar que não devemos ter medo, não devemos renegar quem somos. Devemos antes abrir os braços, receber com amor, com tolerância e liberdade quem é diferente, professa uma religião diferente, vem de uma nacionalidade diferente e combater todos os ódios, mas também aquele ódio que persegue os judeus”, referiu o governante perante uma assistência que juntou rabinos (mestres de uma comunidade judaica) e outros representantes do povo judaico, para além de representantes da comunidade australiana.

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