Serviço Nacional de Saúde
"Os efeitos estão à vista". Associação de Laboratórios Clínicos alerta para deterioração da rede convencionada
22 dez, 2025 - 07:00 • Jaime Dantas
O presidente da ANL aponta como causas para a diminuição da rede convencionada a falta de atualização dos preços pagos pelo estado e a internalização das análises clínicas em algumas unidades de saúde.
A Associação Nacional de Laboratórios Clínicos (ANL) alerta, esta quinta-feira, para a deteroração da rede de establecimentos convencionados pelo Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Em 2024, os dados da Entidade Reguladora para a Saúde (ERS) apontavam para um total de 763 establecimentos deste tipo, quando no ano anterior eram 990 - uma redução de 227 serviços. Este emagrecimento da rede levou a que, no ano passado, 73 concelhos não tivessem qualquer establecimento convencionado. Haviam ainda 179 municípios que tinham entre um e 10 establecimentos.
À Renascença, o presidente da ANL diz que está em causa a "sustentabilidade do sistema", e aponta como causas desta tendência o facto de "o setor convencionado que não ter as suas tabelas de preços revistas há mais de 14 anos" e, por outro lado, os "processos de internalização que algumas Unidades Locais de Saúde" levaram a cabo de " de uma forma muito irresponsável", crítica.
Nuno Marques afirma que os "efeitos negativos estão à vista". "O Algarve aumentou o tempo máximo de distância para um acesso a uma análise clínica", aponta.
Os dados do relatório da ERS confirmam esta realidade: "O tempo de deslocação até um concelho com unidades convencionadas variava entre 12 minutos, na região de saúde do Norte, e uma hora e 17 minutos na região do Algarve", pode ler-se no documento.
O responsável lamenta que, apesar de constantes contactos com a tutela, "há muito pouca efetividade".
- Noticiário das 17h
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