Natal
Música e bacalhau. Estudantes deslocados juntos em consoada antecipada
24 dez, 2025 - 00:29 • Sandra Afonso
Pelo terceiro ano, a Associação Académica da Universidade de Lisboa encheu a mesa com o típico Natal português, para os estudantes que não podem ou não conseguem por estes dias ir a casa.
Duas mesas corridas, cobertas com toalhas vermelhas e decorações festivas, não foram suficientes para receber todos os que se inscreveram no jantar de Natal para estudantes deslocados.
Este ano, a Associação Académica da Universidade de Lisboa recebeu cerca de 80 inscrições. “Infelizmente, tivemos de deixar alguns estudantes em espera porque temos um número limitado”, diz à Renascença Adriana Alvim.
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A iniciativa, que já vai na terceira edição, contou esta terça-feira com 50 estudantes, “de programas de mobilidade e de outras zonas do país, que não têm forma de ir a casa”, acrescenta Adriana Alvim, da Associação Académica.
Antes do jantar, jogos e charadas quebram o gelo e meia hora depois praticamente todos já conheceram pessoas novas, de diferentes cursos e origens.
As conversas fazem-se sobretudo em inglês, a forma mais fácil de incluir todos. São sobretudo alunos do primeiro ano ou de Erasmus, há poucos meses em Lisboa. A maioria dos poucos amigos que fizeram já partiram para passar o Natal em família. Este jantar é uma oportunidade de encontrar outros como eles, e existem.
David, no primeiro ano de Medicina, diz que este é o primeiro Natal longe de casa e da família, e “sente falta” de tudo. Mas não está sozinho. Espera passar a consoada com os novos amigos: “Ainda não fizemos planos, mas devemos procurar um restaurante aberto para jantar e passar a noite.”
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Não sabemos se este estudante nigeriano vai conseguir encontrar um restaurante aberto na noite de Natal, mas esta terça-feira partilhou uma consoada antecipada com outros estudantes na mesma situação.
Este ano houve bacalhau, pernil e doces tradicionais na ementa. Para o convívio, não faltou música, jogos e charadas. O objetivo é “recriar um ambiente caseiro, para que não se sintam uns desconhecidos”, explica Adriana Alvim.
“É um ótimo evento para nós, juntar os estudantes internacionais, para se divertirem e libertarem a tensão por estarem longe da família. É um gesto bonito da Universidade, que reconhecemos”, diz David.
Pelo segundo ano, a eslovena Neija não vai passar o Natal em família. Está em Lisboa a fazer o segundo Erasmus. Se fosse à terra, “estaria com a minha família, depois da consoada íamos todos à missa do Galo. Aqui, tenho os amigos”, refere. “Amanhã, vamos ao Porto celebrar o Natal.”
Já para Daniel o Natal vai ter sabor a casa. Como não pode regressar, vieram os pais a Lisboa, só não trouxeram o calor do Brasil: “os meus pais vieram, não vou estar com o meu irmão, com os meus primos, com os meus avós, mas não vou estar sozinho”. De casa, sente falta da família que ficou, dos amigos e do calor. “Lá é verão agora, está quente para cacete”.
Esta noite jantaram todos juntos e fizeram novos amigos, estudantes como eles, que também passam o Natal longe da família, mas não estão sozinhos.
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