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De bioquímica a padeira: em Viseu a massa mãe mudou uma vida

25 dez, 2025 - 09:05 • Liliana Carona

Começou por ser curiosidade no Pinterest e acabou por se tornar um meio de vida. Em Viseu, uma antiga bioquímica clínica trocou o laboratório pela padaria e criou um negócio que aposta no pão de massa mãe, na fermentação lenta e em ingredientes simples, mas cada vez mais procurados.

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Trocar o laboratório pelo forno parecia improvável, mas foi assim que Elisabete Correia encontrou um novo caminho. Em Viseu, o seu pão de massa mãe esgota quase todos os dias no espaço que há dois anos deu o nome de "Bake O’Clock".

Atrás da banca de venda, está Elisabete, de 37 anos, formada em Bioquímica Clínica, que nunca chegou a exercer na área. Hoje, trabalha com micro-organismos de outra forma: no pão.

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“Utilizo farinha de trigo, trigo integral e centeio integral, tudo de massa mãe e fermentação lenta”, explica, enquanto atende mais uma fila de clientes, que segue o aroma a pão quente. O foco do negócio é claro: pão artesanal, feito com farinhas moídas em mó de pedra e processos demorados, numa altura em que o consumo consciente ganha espaço.

A jovem padeira utiliza micro-organismos, “tendo em conta que teve como disciplina na Universidade de Aveiro, a microbiologia”.

Disseram-me apenas para ser feliz e fazer aquilo que me fizesse bem

Mesmo sem ligações familiares à restauração ou à padaria, Elisabete encontrou apoio em casa quando decidiu mudar de rumo.

“Disseram-me apenas para ser feliz e fazer aquilo que me fizesse bem”, recorda. Durante anos imaginou ter uma loja, mas sempre ligada aos doces. O pão surgiu depois, quase por acaso, inspirado em receitas antigas e na memória das gerações anteriores. “O pão que a minha mãe e a minha avó faziam era assim: guardava-se um bocadinho da massa e dava para a semana toda”, conta.

No "Bake O’Clock", os produtos esgotam com frequência. O pão de sementes é o mais procurado, mas nem sempre chega ao fim do dia. Entre baguetes, pão de mistura, buns e mini focaccias acabadas de preparar, o ritmo é constante, numa loja que não é grande de tamanho, mas onde não há tempo a perder.

Para a proprietária, o crescimento do setor está ligado a uma maior preocupação com a saúde. “As pessoas estão cada vez mais atentas ao que comem. Nós somos aquilo que comemos, e isso é verdade”, afirma.

Elisabete nunca imaginou que o pão fosse o seu sustento. Ainda assim, garante que hoje se sente mais feliz. “Sou mais feliz hoje do que era antes e a realização vai-se construindo todos os dias, quero servir da melhor forma, fornecer os melhores alimentos com os melhores ingredientes e o mais acessível possível”.

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