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PS quer saber se Governo tem plano de contingência para aeroportos

31 dez, 2025 - 15:13 • Lusa

José Luís Carneiro quer ainda saber se, na sequência desta decisão, há ou não falhas de segurança no controlo do aeroporto de Lisboa. PS avança com pedido de debate de urgência sobre a situação do aeroporto de Lisboa.

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O secretário-geral do PS, José Luís Carneiro, instou esta quarta-feira o Governo a esclarecer se elaborou ou não um plano de contingência para os aeroportos para o período de Natal e ano novo.

Em declarações aos jornalistas à margem de uma visita ao Hospital de Barcelos, Carneiro voltou a acusar o executivo de Luís Montenegro de falta de cuidado e de planeamento, de impreparação e de incompetência, afetando o prestígio do país em termos internacionais.

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"A questão que se coloca é esta: o Governo fez ou não fez um plano para gerir essa procura e o pico dessa procura, que é próprio destas épocas do ano?", questionou.

Lembrou que, "historicamente", há três planos de contingência para responder às necessidades, um no período da Páscoa, outro no verão e outro no Natal e ano novo.

"Ora, o Governo e o primeiro-ministro devem responder à seguinte pergunta: há ou não há um plano de contingência? Se há, que plano é esse?", reiterou.

O sistema europeu de controlo de fronteiras para cidadãos extracomunitários vai ser suspenso por três meses no aeroporto de Lisboa, infraestrutura que será reforçada "de imediato" com militares da GNR, anunciou na terça-feira o Ministério da Administração Interna.

Em comunicado, o Governo justifica o reforço de medidas de contingência no Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, com "o agravamento dos constrangimentos na zona de chegadas" de passageiros não-europeus provenientes de fora do espaço Schengen devido à evolução do novo Sistema de Entrada/Saída (EES) da União Europeia.

José Luís Carneiro quer ainda saber se, na sequência desta decisão, há ou não falhas de segurança no controlo do aeroporto de Lisboa.

"São respostas às quais o primeiro-ministro tem o dever de responder, porque só ele é o primeiro responsável pelo sistema de segurança interna, porque é mesmo sob a sua tutela que funciona o sistema de segurança interna", rematou.

Bancada socialista avança com pedido de de urgência

O PS vai requerer um debate de urgência no Parlamento para ouvir o Governo sobre a suspensão do mecanismo europeu de controlo de fronteiras no aeroporto de Lisboa, que espera que se realize em 7 de janeiro.

O deputado do PS Luís Testa disse à agência que o requerimento potestativo para a marcação deste debate de urgência será apresentado na sexta-feira e manifestou a expectativa de que "seja ouvida desde logo a ministra da Administração Interna [Maria Lúcia Amaral], que tem uma responsabilidade primeira nestas questões, mas também o ministro da Presidência [António Leitão Amaro]".

"Nós não podemos continuar a assistir àquilo a que temos assistido nos últimos dias no aeroporto de Lisboa e também a desconhecer os verdadeiros fundamentos que presidiram à suspensão deste programa informático, que é um programa robusto e que dotava o território nacional de condições de segurança no seu acesso", justificou.

O dirigente e deputado do PS defendeu que, além da ministra da Administração Interna, "o ministro Leitão Amaro também tem esclarecimentos a prestar à Assembleia da República", porque "teve sempre um papel na condução destes temas e, aliás, anunciou, com grande pompa e circunstância, a inauguração deste robusto sistema informático que ia ser um exemplo de modernização do país".

Em nome do grupo parlamentar do PS, Luís Testa considerou que o Governo PSD/CDS-PP não tem prestado voluntariamente os devidos esclarecimentos sobre esta matéria e que têm surgido novas informações que exigem explicações.

"A cada hora que passa, nós somos surpreendidos com notícias sobre questões que desconhecíamos. Ainda hoje, esta notícia trazida a público sobre uma imposição da Comissão Europeia relativamente à mobilização de forças de segurança para o aeroporto, que havia procedimentos que não estavam a ser feitos da forma correta e era preciso reforçar a segurança com mais pessoal. Nós não conhecíamos isto, o Governo nunca falou sobre isto", apontou.

Segundo o deputado, falta também conhecer "os verdadeiros fundamentos para ser suspenso o novo sistema de entrada de cidadãos de países terceiros no espaço nacional e, por consequência, no espaço europeu".

"Nós tememos que, com esta suspensão, aquilo que era a grande virtude da implementação deste sistema, que era a circularização dos dados biométricos em tempo real por todos os países da União Europeia, seja posta em causa e, com isso, também a segurança do espaço nacional e do espaço europeu", acrescentou.

Luís Testa sustentou que a implementação do sistema não foi feita "com a preparação e com a competência que se exigia", mas que isso "não pode servir como justificação para simplesmente o suspender".

Com a marcação de um debate de urgência em plenário, o PS espera obter "esclarecimentos cabais" do executivo.

"A primeira data disponível para este debate de urgência poder acontecer é no dia 7 [de janeiro] e é nesse dia 7 que nós esperamos que se realize", adiantou o deputado.

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