Ouvir
  • Noticiário das 22h
  • 09 jun, 2026
A+ / A-

"Não disse isso": Rangel esclarece que afinal não acredita em "intenções benignas" dos EUA

05 jan, 2026 - 18:20 • Alexandre Abrantes Neves

O ministro dos Negócios Estrangeiros diz que há apenas alguns "aspetos benignos" da intervenção militar na Venezuela, nomeadamente a saída de Nicolás Maduro do poder. Sobre o futuro, defende Gonzalez como "Presidente legítimo" - posição diferente de Trump, apesar de não criticar o Presidente norte-americano.

A+ / A-
SEG PAULO RANGEL 1 18H D05
Paulo Rangel lamentou que a comunicação social "não leia" os comunicados do ministério. Foto: António Pedro Santos/Lusa

O ministro português dos Negócios Estrangeiros recusou, esta segunda-feira, ter dito que as intenções dos Estados Unidos na Venezuela eram “benignas”, esclarecendo que considera benéficos apenas alguns "aspetos" da intervenção militar norte-americana que derribou Nicolás Maduro.

No último sábado, horas depois da agressão dos Estados Unidos, Paulo Rangel afirmou, numa declaração no Palácio das Necessidades, em Lisboa, que a análise de um eventual desrespeito pelo direito internacional devia ser realizada “independentemente das intenções [de Donald Trump], que eram “benignas”.

Já segue a Informação da Renascença no WhatsApp? É só clicar aqui

Esta tarde, em Lisboa, Paulo Rangel afirmou que as suas declarações foram descontextualizadas – confirma que considera que a saída de Nicolás Maduro do poder é positiva, mas ressalva que também sempre apelou à contenção e ao respeito pelo direito internacional.

Eu disse só que há aspetos benignos nesta intervenção. Um deles é a queda de Maduro, sem dúvida. Isso não significa o resto. Portanto, ou as pessoas querem perceber ou não querem”, começou por dizer, para depois lamentar que a comunicação social “devia ter lido” o comunicado do Ministério, emitido logo após a intervenção militar.

“Lá está claramente dito, apela-se à contenção, apela-se ao respeito pela legalidade internacional e pela Carta das Nações Unidas. Aqui é fundamental ler os documentos que nós trazemos. Não ouvir dois comentadores que citam uma palavra e depois fazem disso um caso o dia inteiro”, criticou.

Escusando-se a corrigir o termo utilizado ou a retratar-se das declarações, Paulo Rangel afirmou estar mais empenhado em acompanhar e garantir a segurança da comunidade portuguesa na Venezuela, de quem tem recebido “notícias tranquilizadoras”.

Nós temos a responsabilidade por quase 300 mil portugueses e muitos mais: porventura, mais 200 mil, 220 e tal mil lusodescendentes. Eu sei que os portugueses que me estiverem a ouvir sabem que a nossa primeira preocupação é a comunidade portuguesa”, garantiu.

Já quanto ao futuro da Venezuela, o MNE vincou que a prioridade do Governo português tem de passar por ajudar a construir uma “solução política e governativa”, que traga “estabilidade e um processo democrático”. Na leitura de Paulo Rangel, isso só é possível se Edmundo Gonzalez Urrutia – que reinvidica vitória nas presidenciais de 2024 – chegar ao poder. “Para nós, o Presidente ilegítimo será o Presidente Edmundo Gonzalez”, afirmou.

"Bem-vindos a 2026." EUA avisam Cuba, Colômbia e "o mundo" que Venezuela pode repetir-se
"Bem-vindos a 2026." EUA avisam Cuba, Colômbia e "o mundo" que Venezuela pode repetir-se

Essa hipótese, contudo, já foi recusada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, que considera que Gonzalez e Maria Corina Machado (Prémio Nobel da Paz e a voz mais sonante na oposição a Maduro) não reúnem apoio suficiente dentro da Venezuela.

Questionado pela Renascença, Rangel rejeitou que este diferendo de opiniões obrigue Portugal a tomar uma posição mais crítica da postura norte-americana.

“Nós dizemos isto. Se outros países pensam de outra maneira, isso é um problema de outros países. A nossa posição não poderia ter sido mais clara”, resumiu.

Ouvir
  • Noticiário das 22h
  • 09 jun, 2026
Saiba Mais
Comentários
Tem 1500 caracteres disponíveis
Todos os campos são de preenchimento obrigatório.

Termos e Condições Todos os comentários são mediados, pelo que a sua publicação pode demorar algum tempo. Os comentários enviados devem cumprir os critérios de publicação estabelecidos pela direcção de Informação da Renascença: não violar os princípios fundamentais dos Direitos do Homem; não ofender o bom nome de terceiros; não conter acusações sobre a vida privada de terceiros; não conter linguagem imprópria. Os comentários que desrespeitarem estes pontos não serão publicados.

Vídeos em destaque