"Não disse isso": Rangel esclarece que afinal não acredita em "intenções benignas" dos EUA
05 jan, 2026 - 18:20 • Alexandre Abrantes Neves
O ministro dos Negócios Estrangeiros diz que há apenas alguns "aspetos benignos" da intervenção militar na Venezuela, nomeadamente a saída de Nicolás Maduro do poder. Sobre o futuro, defende Gonzalez como "Presidente legítimo" - posição diferente de Trump, apesar de não criticar o Presidente norte-americano.
O ministro português dos Negócios Estrangeiros recusou, esta segunda-feira, ter dito que as intenções dos Estados Unidos na Venezuela eram “benignas”, esclarecendo que considera benéficos apenas alguns "aspetos" da intervenção militar norte-americana que derribou Nicolás Maduro.
No último sábado, horas depois da agressão dos Estados Unidos, Paulo Rangel afirmou, numa declaração no Palácio das Necessidades, em Lisboa, que a análise de um eventual desrespeito pelo direito internacional devia ser realizada “independentemente das intenções [de Donald Trump], que eram “benignas”.
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Esta tarde, em Lisboa, Paulo Rangel afirmou que as suas declarações foram descontextualizadas – confirma que considera que a saída de Nicolás Maduro do poder é positiva, mas ressalva que também sempre apelou à contenção e ao respeito pelo direito internacional.
“Eu disse só que há aspetos benignos nesta intervenção. Um deles é a queda de Maduro, sem dúvida. Isso não significa o resto. Portanto, ou as pessoas querem perceber ou não querem”, começou por dizer, para depois lamentar que a comunicação social “devia ter lido” o comunicado do Ministério, emitido logo após a intervenção militar.
Rangel defende presidência de Edmundo González “a prazo” como solução para a Venezuela
O ministro dos Negócios Estrangeiros considera que(...)
“Lá está claramente dito, apela-se à contenção, apela-se ao respeito pela legalidade internacional e pela Carta das Nações Unidas. Aqui é fundamental ler os documentos que nós trazemos. Não ouvir dois comentadores que citam uma palavra e depois fazem disso um caso o dia inteiro”, criticou.
Escusando-se a corrigir o termo utilizado ou a retratar-se das declarações, Paulo Rangel afirmou estar mais empenhado em acompanhar e garantir a segurança da comunidade portuguesa na Venezuela, de quem tem recebido “notícias tranquilizadoras”.
“Nós temos a responsabilidade por quase 300 mil portugueses e muitos mais: porventura, mais 200 mil, 220 e tal mil lusodescendentes. Eu sei que os portugueses que me estiverem a ouvir sabem que a nossa primeira preocupação é a comunidade portuguesa”, garantiu.
Já quanto ao futuro da Venezuela, o MNE vincou que a prioridade do Governo português tem de passar por ajudar a construir uma “solução política e governativa”, que traga “estabilidade e um processo democrático”. Na leitura de Paulo Rangel, isso só é possível se Edmundo Gonzalez Urrutia – que reinvidica vitória nas presidenciais de 2024 – chegar ao poder. “Para nós, o Presidente ilegítimo será o Presidente Edmundo Gonzalez”, afirmou.
Essa hipótese, contudo, já foi recusada pelo Presidente norte-americano, Donald Trump, que considera que Gonzalez e Maria Corina Machado (Prémio Nobel da Paz e a voz mais sonante na oposição a Maduro) não reúnem apoio suficiente dentro da Venezuela.
Questionado pela Renascença, Rangel rejeitou que este diferendo de opiniões obrigue Portugal a tomar uma posição mais crítica da postura norte-americana.
“Nós dizemos isto. Se outros países pensam de outra maneira, isso é um problema de outros países. A nossa posição não poderia ter sido mais clara”, resumiu.
- Noticiário das 22h
- 09 jun, 2026













