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Presidente da RTP lamenta que episódio sobre identidade de género tenha incomodado

06 jan, 2026 - 20:42 • Lusa

"É um tema sensível", reconhece o presidente da RTP sobre o episódio do programa "Sex Symbols", discutido no parlamento em dezembro de 2025. Nicolau Santos disse ainda não é opção da estação criar desconforto dos espetadores em matérias sensíveis.

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O presidente da RTP lamentou esta terça-feira que tenha havido muitas pessoas que tenham ficado incomodados com o episódio "Sex Symbols" na RTP2, até porque não é opção da estação criar desconforto dos espetadores em matérias sensíveis.

"É um tema sensível", acrescentou Nicolau Santos na comissão parlamentar de Cultura, Comunicação, Juventude e Desporto, aludindo ao episódio que fala sobre transgénero e quando questionado sobre o tema.

"Começava por lamentar que tivesse havido seguramente muitas pessoas, entre as quais o senhor deputado [Paulo Núncio], que ficaram incomodados com aquilo que foi emitido", afirmou.

O líder parlamentar do CDS-PP, Paulo Núncio, discutiu o programa por ser um "programa absolutamente lamentável e que chocou e indignou muitas famílias"

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"Não é nossa opção criar desconforto nos nossos espetadores com matérias que são extremamente sensíveis, como eu reconheço", prosseguiu Nicolau Santos.

Segundo o presidente da emissora pública, a série "Sex Symbols" é destinada a pré-adolescentes e adolescentes, estreou na RTP a 4 de abril de 2025, e tem sido programada com cadência semanal aos domingos, ao final da tarde, por volta das 19 horas.

Na sua intervenção, o presidente da RTP leu contributos de pais que agradeceram a transmissão do programa. A programação não é infantil, sublinhou, referindo tratar-se de um produção originalmente espanhola, com apoio da Bélgica, exibida em ambos os países.

Teve o apoio do projeto "EdSex", Espanha, um projeto financiado pela União Europeia.

O estudo "Saved Children", que serviu de premissa à sua criação, entrevistou 1.753 adolescentes, onde se diagnostica a preocupante falta de informação junto dos jovens adolescentes, que revela enorme confusão sobre estas matérias, com consequências claras, acrescentou.

A série aborda temas como o cyberbullying, a gravidez, os falsos mitos, a sexualidade, a timidez, as relações tóxicas, o consentimento, a gestão emocional, entre outros.

Questionado sobre a não transmissão de tauromaquia, Nicolau Santos recordou que "há uma linha de autonomia em relação aos diretores de informação e de programas que tem de ser respeitada pelo Conselho de Administração".

Dito isto, "relativamente às touradas, eu gostava de lembrar que nos últimos dias das votações na especialidade do Orçamento de Estado, para 2026, foi rejeitado no parlamento uma proposta do Chega, nem sequer foi do CDS, para a atualização do contrato de concessão da RTP que contemplava o regresso da transmissão de corridas de toiros ao canal de Estado", recordou.

"Nada no contrato de concessão obsta a que se transmitam touradas, mas nada no contrato de concessão obriga a que se transmitam touradas" e o diretor de programas já foi questionado publicamente sobre isto e "já deu as explicações sobre isto".

"Disse", acrescentou, continuando a citar o diretor de programas, "que, do ponto de vista de estratégia, as touradas não eram um ativo estratégico para a RTP, mais importante, considerou que a RTP é um serviço público de media, que existe para unir os portugueses e que entrar em situações em que há claramente clivagens, e clivagens muito fortes relativamente a esta matéria, que não faria sentido".

Portanto, "a decisão é dele e ele seguramente terá muito gosto de vir aqui para esclarecer esta decisão", rematou o presidente do Conselho de Administração da RTP.

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