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Ambiente

"Querem matar a pesca local". Pescadores da Figueira da Foz reclamam utilização de explosivos no Mondego

07 jan, 2026 - 18:38 • Lusa

Pescadores locais começam, a partir de sábado, a pesca da lampreia e do sável no rio Mondego, mas as intervenções no rio Mondego podem prejudicar a colheita. "A situação está caótica", queixa-se a comunidade piscatória.

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Pescadores da Figueira da Foz exigem que as dragagens e utilização de explosivos no leito de rocha do Mondego parem imediatamente, por impossibilitarem a entrada no rio da lampreia e sável, cuja época de pesca começa este sábado.

As operações de dragagem, quebra e desmonte de rocha com recurso a explosivos, atualmente a decorrer no rio Mondego, numa zona em frente à cidade da Figueira da Foz, no litoral do distrito de Coimbra, inserem-se na obra de aprofundamento da barra, canal de acesso e bacia de manobras do porto local.

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A intervenção estará alegadamente a violar uma medida de mitigação constante da respetiva Declaração de Impacte Ambiental (DIA), consultada pela agência Lusa, que obriga a que as ações sejam planeadas e realizadas "de forma a evitar o período crítico de migração e reprodução/desova das espécies piscícolas", que ocorre de dezembro a abril.

"Nós não queremos explicações, queremos soluções. E a solução é parar imediatamente com as dragagens e o rebentamento de explosivos", disse Armandina Ferreira, representante de cerca de uma centena de pescadores locais da Figueira da Foz, cujas 50 embarcações, a partir de sábado, iniciam a pesca da lampreia e do sável no rio Mondego.

A mesma fonte indicou ainda que os pescadores querem uma reunião urgente com a administração portuária — que entrou em funções no dia 1 — para que a dona da obra em curso na foz do Mondego, um investimento de quase 22 milhões de euros, encontre uma "solução rápida".

Já Alexandre Carvalho, também representante de pescadores e armadores da chamada pequena pesca local, evidenciou o "sentimento de revolta" que grassa na comunidade piscatória.

"Já deviam ter parado com as dragagens e não pararam, continuam a rebentar [a rocha] dia e noite. A situação está caótica, querem matar a pesca local", observou.

A entidade constatou, em sede da Direção Regional de Agricultura e Pescas do Centro (DIA), que, ao ser realizada entre maio e novembro, a obra “não afeta a migração e consequente desenvolvimento das espécies piscícolas em causa, bem como a sua captura”.

"As explosões são de baixa potência, que é o que está previsto, até estamos a fazer com valores inferiores àqueles que são previstos e todas estas questões estão devidamente regulamentadas articuladas com a Capitania do Porto, comunidade portuária e forças de segurança e temos também a fiscalização interna e externa que nos garantem que está tudo dentro daquilo que é previsto", argumentou.

A Lusa tentou ainda ouvir a Agência Portuguesa do Ambiente, mas os contactos resultaram infrutíferos.

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