08 jan, 2026 - 12:58 • Olímpia Mairos , com Hugo Monteiro , Carla Fino
O presidente do INEM, Luís Cabral, afirmou esta quinta-feira não ter conhecimento oficial da morte de uma mulher, com cerca de 60 anos, na Quinta do Conde, no concelho de Sesimbra, num alegado caso de demora no socorro de emergência. Numa resposta enviada à Renascença, o INEM lamenta a morte desta utente e diz que vai avançar com uma auditoria interna.
A assistência à vítima terá sido prestada pelos Bombeiros Voluntários de Carcavelos, no concelho de Cascais, a cerca de 35 quilómetros do local da ocorrência.
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À entrada para uma reunião com a Liga de Bombeiros Portugueses, Luís Cabral afirmou não ter recebido qualquer notificação interna sobre o caso.
“Está-me a transmitir uma informação da qual eu ainda não tenho qualquer tipo de notificação interna. Eu não posso estar agora a comentar todas as situações”, começou por dizer.
O presidente do INEM garantiu, no entanto, que a situação será analisada caso venha a ser confirmada.
“Se há alguma dessas notícias, irei ter o cuidado de a averiguar e iremos, enquanto INEM, dar a notícia que tivermos que dar sobre essa matéria. Neste momento, não tenho informação para lhe poder responder sobre isso”, acrescentou.
Sesimbra
Idosa de 60 anos foi assistida pelos Bombeiros de (...)
O INEM “lamenta o falecimento da utente” e confirma que se encontra a “auditar os procedimentos internos associados à ocorrência” registada esta quarta-feira na Quinta do Conde, no concelho de Sesimbra, lamentando o falecimento da utente.
Em resposta à Renascença, o instituto sublinha que a atuação seguiu os procedimentos definidos e divulgou a fita do tempo da resposta de emergência, desde a chamada para o 112 até à ativação dos meios disponíveis.
O INEM afirma que, tal como numa situação registada no dia anterior na Margem Sul do Tejo, cumpriu a sua função, salientando que a resposta não foi mais eficaz devido à indisponibilidade de meios de emergência naquela região.
O instituto sublinha ainda que ambas as ocorrências são alheias ao sistema de triagem por prioridades do CODU, garantindo que esse sistema “funcionou de acordo com os procedimentos definidos”.
O INEM conclui reiterando que está a proceder a uma auditoria interna para apurar todos os factos relacionados com a ocorrência.
Luís Cabral anunciou que irá solicitar à Liga de Bombeiros o reforço de meios de emergência na Margem Sul, através da disponibilização de mais ambulâncias.
“Um dos pedidos que irei fazer à Liga hoje é que disponibilize todas as ambulâncias que estiverem disponíveis na Margem Sul, para nós podermos fazer um acordo de parceria”, explicou.
Segundo o responsável, esse acordo permitiria garantir postos de emergência ao longo de todo o ano.
“Se houver essa disponibilidade da Liga, nós teremos, enquanto INEM, a disponibilidade também de o acertar do ponto de vista financeiro”, assegurou.
Já o presidente da Liga de Bombeiros, António Nunes, reconheceu publicamente que o sistema de emergência médica não está a funcionar de forma eficaz.
“Eu não sei o que é que está a falhar. O que nós sabemos é que o sistema não está a funcionar bem. E isto é preciso sermos humildes e dizer assim, mas não é de agora”, afirmou.
António Nunes sublinhou que os alertas se arrastam há vários anos, lembrando que, há “quatro ou cinco anos”, a Liga de Bombeiros tem vindo a avisar para as falhas do sistema.
Segundo o dirigente, apesar das várias tentativas para o colocar a funcionar de forma eficaz, “provavelmente não fomos capazes, coletivamente, de o fazer”.
O dirigente defendeu que a discussão deve, nesta fase, centrar-se em soluções técnicas e não políticas.
“Neste momento, nós temos que discutir o problema técnico. Quando encontramos as soluções técnicas e, se estivermos em desacordo, então temos que chamar os políticos para a tomada da decisão e a assunção das responsabilidades”, explicou.
Segundo o presidente da Liga de Bombeiros, estão em causa problemas de subfinanciamento, gestão e organização, defendendo que a intervenção política só deve surgir depois de esgotadas as negociações técnicas.
“Enquanto nós não esgotarmos estas negociações, estas conversas, ou conseguirmos afinar os sistemas, não vale a pena estar a chamar, seja quem for, seja o Governo”, concluiu.