Polícia Judiciária faz buscas na Câmara de Setúbal
08 jan, 2026 - 15:01 • Vítor Mesquita , Daniela Espírito Santo com Lusa
Em causa está o facto de Dores Meira ter recebido, alegadamente, perto de 35500 euros de ajudas de custo da autarquia por ter usado viatura própria em serviço, apesar de ter carro oficial.
A Polícia Judiciária está a realizar buscas na Câmara Municipal de Setúbal. A notícia está ser avançada pelo jornal Público, esta quinta-feira, e já foi, no entretanto, confirmada por fonte policial à Agência Lusa. A mesma fonte adianta que as buscas estão relacionadas com o "pagamento indevido de ajudas de custo e viagens ao estrangeiro" da presidente do município.
A Renascença pediu ao Ministério Público confirmação da realização de buscas "no âmbito de inquérito que corre termos no DIAP Regional de Évora" e, esta tarde, recebeu resposta afirmativa, com fonte da PGR a adiantar que o mesmo processo se encontra "em investigação" e "não tem arguidos constituídos".
Sob suspeita estarão também viagens realizadas dentro e fora do país e o registo de gastos com os dois cartões de crédito que lhe estavam atribuídos. Os inspetores terão, alegadamente, percebido que, "por várias vezes ao longo destes quatro anos", a autarca "parece ter estado em dois sítios diferentes ao mesmo tempo".
As informações serão resultado de uma auditoria aprovada pela maioria CDU, e pelos partidos da oposição na autarquia sadina, PS e PSD, no anterior mandato autárquico (2021/25). A auditoria, por sua vez, surgiu após uma notícia do jornal público de 29 de agosto de 2024 e uma investigação da SIC, transmitida a 23 de outubro de 2024, terem dado conta de "alegadas irregularidades" durante o terceiro e último mandato de Dores Meira, eleita em Setúbal pela CDU, entre 2017 e 2021.
A ex-autarca da CDU, que cumpriu três mandatos consecutivos como presidente da Câmara de Setúbal em 2009, 2013 e 2017, e que nas últimas eleições autárquicas voltou a ganhar a Câmara Municipal de Setúbal como independente, disse na altura que a auditoria externa encomendada pelo município era mais um elemento da "perseguição política" de que dizia ser vítima desde que tinha anunciado que iria ser de novo candidata à Câmara Municipal de Setúbal.
Em novembro do ano passado, quando já era candidata independente à Câmara de Setúbal, Maria das Dores Meira, negou todas as acusações de alegado recebimento indevido de ajudas de custo e de utilização indevida de cartões de crédito do município, assegurando que estava a ser "vítima de uma perseguição política" promovida pelo PS, com o apoio da CDU.
[Notícia atualizada às 167h13 de 8 de janeiro de 2026 com a confirmação do Ministério Público]
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