08 jan, 2026 - 13:00 • André Rodrigues , João Malheiro
O presidente da Câmara do Seixal diz que a retenção de macas no Hospital Garcia de Orta está a prejudicar o socorro a doentes urgentes e estabelece uma relação causa-efeito com a morte do homem de 78 anos, na terça-feira, quando esperava quase três horas pela assistência do INEM.
À Renascença, Paulo Silva refere que a situação é inconcebível" e diz que vai pedir uma audiência com a ministra da Saúde.
O autarca sublinha que, apesar de ter sido projetado para responder às necessidades dos concelhos de Almada e Seixal, o hospital Garcia de Orta "não consegue".
"O hospital foi projetado para servir uma população de 200 mil pessoas e, atualmente, os dois concelhos têm quase 400 mil pessoas", aponta.
"E o que é que acontece? Quando as ambulâncias chegam ao hospital, ficam lá muito tempo paradas, à espera que lhes devolvam as macas. Isto é o grande constrangimento", realça.
Por isso, o autarca reivindica "a necessidade e a urgência da construção de um hospital no concelho do Seixal".
"Se já houvesse, haveria um serviço mais rápido e conseguia-se que as ambulâncias respondessem mais facilmente às necessidades da população", reitera.
O Ministério Público vai avançar com a instauração de um inquérito à morte do homem de 78 anos no Seixal, depois de esperar quase três horas pela assistência do INEM, confirmou a Renascença junto de fonte oficial.
O Ministério Público determinou, ainda, a realização de uma autópsia ao corpo do idoso.
O presidente do INEM diz que não há nada a apontar ao modelo de triagem, que o doente em questão foi classificado com o grau de urgência adequado.
De acordo com Luís Cabral, o problema foi a falta de meios, já que não havia ambulâncias disponíveis na Margem Sul por estarem retidas em diferentes unidades de saúde.
De acordo com a fita do tempo desde caso, a primeira chamada para o INEM foi feita às 11h23. A viatura médica de Almada, que entretanto ficou livre, só foi enviada quase três horas depois da primeira chamada.