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Novas diretrizes alimentares nos EUA preocupam especialistas em saúde

09 jan, 2026 - 21:04 • Fábio Monteiro , Anabela Góis

As novas recomendações alimentares dos Estados Unidos promovem o aumento do consumo de carnes vermelhas, manteiga e leite gordo. Especialistas portugueses alertam para os riscos destas orientações, que contradizem a evidência científica.

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Os Estados Unidos apresentaram novas diretrizes alimentares que alteram profundamente a tradicional pirâmide nutricional, incentivando o consumo de carnes vermelhas, leite gordo e manteiga. A decisão surpreendeu negativamente a comunidade científica, incluindo a vice-presidente da Ordem dos Nutricionistas em Portugal, Carla Pedrosa.

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“Acaba por ser contraditório com aquilo que têm vindo a ser as recomendações até à atualidade e contradiz também aquilo que a evidência científica nos vai mostrando e que foi criando as recomendações que fomos tendo até então”, afirmou Carla Pedrosa.

As novas recomendações, apresentadas pelo secretário da Saúde norte-americano, defendem o aumento do consumo de fontes proteicas de origem animal, nomeadamente carne vermelha, e o regresso a produtos com gorduras saturadas, como a manteiga. Para a nutricionista portuguesa, esta aposta vai contra todas as evidências científicas disponíveis.

“Temos, por exemplo, a manteiga, que é uma fonte importante de acesso a gorduras saturadas, e temos nomeadamente as carnes, e o caso em particular também das carnes vermelhas, com uma presença importante desse tipo de gorduras, que estão habitualmente associadas a um fator de risco em termos de doença cardiovascular”, destacou.

Num país onde 75% da população tem excesso de peso, Carla Pedrosa considera incompreensível o incentivo ao aumento do consumo calórico, sublinhando que estas orientações podem ter graves consequências para a saúde pública.

“Estas recomendações carecem, obviamente, de ter um suporte científico que não têm e podem realmente implicar um risco para a saúde pública”, alertou.

As novas diretrizes influenciam a composição das refeições servidas em escolas, hospitais e programas sociais. Foram elaboradas por uma equipa escolhida pelo presidente norte-americano Robert F. Kennedy Jr., sendo que metade dos peritos envolvidos têm ligações à indústria alimentar.

“Torna-se um risco para a saúde pública, porque provavelmente vai-nos agravar a prevalência ou o risco de surgir não só mais casos de obesidade, mas também mais risco de doenças cardiovasculares e de cancro do trato gastrointestinal”, concluiu a vice-presidente da Ordem dos Nutricionistas.

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