10 jan, 2026 - 15:28 • Lusa
A Associação Nacional dos Técnicos de Emergência Médica (ANTEM) questionou este sábado o facto de as ambulâncias da "task-force" da Liga dos Bombeiros estarem no Lumiar, quando a falta de meios é na margem sul do Tejo.
Em comunicado, a ANTEM lembrou que o problema da falta de meios se localiza na margem Sul do Tejo e disse não compreender a opção de ter uma "task force" que concentra ambulâncias nas instalações da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), no Lumiar.
"Esta decisão, além de carecer de explicação técnica e operacional, potencia um agravamento dos tempos de resposta, em prejuízo direto das populações que se pretende servir", considerou a associação.
Esta semana, pelo menos três pessoas morreram à espera de socorro, no Seixal, em Sesimbra (Quinta do Conde) e em Tavira.
Na justificação dada aos jornalistas, o INEM alegou a falta de meios e a retenção de macas nos hospitais. No caso do Seixal, o homem de 78 anos que morreu esteve quase três horas à espera de socorro e, no caso da Quinta do Conde, a utente aguardou mais de 40 minutos por uma ambulância dos Bombeiros Voluntários de Carcavelos, na margem norte do Tejo.
Na sexta-feira ao final da tarde, a LBP anunciou a criação de uma "task-force" de quatro ambulâncias dos bombeiros de Ajuda, Cabo Ruivo, Camarate e Cascais para socorro pré-hospitalar este fim de semana (das 08h00 às 20h00), com as viaturas de emergência sediadas na sede da Liga, que dista cerca de meia hora, por exemplo, do Hospital Garcia de Orta, em Almada).
Na nota agora divulgada, a ANTEM questionou ainda de que forma estes meios serão acionados e geridos, lembrando: "A Liga dos Bombeiros Portugueses é, por definição estatutária, uma confederação de associações humanitárias, não dispondo de qualquer corpo operacional próprio".
"Nessa medida, não lhe compete, nem lhe é legalmente permitido, assumir funções de comando, coordenação ou acompanhamento direto da atividade operacional no terreno", acrescentou.
Na divulgação que fez na sexta-feira, a LBP disse que ia ter um comandante em permanência a coordenar as operações no CAASO - Centro de Acompanhamento e Apoio à Situação Operacional.
Sobre esta matéria, a ANTEM manifestou "sérias reservas", afirmando que tal estrutura apenas podia existir "mediante acesso a sistemas de comunicações operacionais e a informação sensível" que, por lei, está "reservada às entidades legalmente competentes, designadamente às autoridades de saúde, proteção civil e entidades operacionais com responsabilidade direta no socorro".
A ANTEM disse ainda que estas matérias deve ser clarificadas "de forma transparente, objetiva e em estrito cumprimento do enquadramento legal vigente", salvaguardando a segurança do sistema de emergência médica e a confiança dos cidadãos.
Na sexta-feira, depois de o INEM ter alegado a falta de meios para ser dada resposta atempada aos pedidos de socorro no caso das três pessoas que morreram, o jornal Público noticiou que, entre janeiro e novembro do ano passado, as mais de 40 Viaturas Medicas de Emergência e Reanimação existentes em Portugal estiveram inoperacionais 9.172 horas.
Os dados do INEM relativos ao ano passado não permitem saber quais são os motivos das indisponibilidades das viaturas médicas, mas historicamente a falta de tripulação é a principal justificação.
O Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH), em Lisboa, indicou que por falta de pessoal, apenas entre quatro a seis das 16 viaturas do INEM estão operacionais.
O STEPH salientou ter alertado, em dezembro, o Ministério da Saúde e o INEM para o risco de falta de ambulâncias e propôs um reforço das macas nos hospitais, por exemplo, usando as macas das ambulâncias que estão paradas.